No dia seguinte.
Renata e Sófia marcaram de se encontrar numa cafeteria.
Renata chegou alguns minutos antes.
Ela usava uma simples camisa de algodão e linho em um tom de branco pálido, jeans e sapatilhas, sem nenhum adorno extra. O cabelo estava preso casualmente atrás da cabeça, revelando o seu perfil limpo e esguio.
Após deixar aquela mansão opressora de Daniel, a sua presença havia se acalmado por inteiro, mas ganhara um relaxamento inédito.
Não havia mais a cautela de quem vivia de favor, nem a tensão e a postura defensiva ao enfrentar Daniel, e muito menos a perplexidade causada pela amnésia.
Ela apenas se sentou em silêncio, segurando um copo de água morna, com um olhar tranquilo e as costas retas, como uma planta que finalmente havia se enraizado no seu próprio solo.
Ao ouvir passos, ela ergueu a cabeça.
Sófia empurrou a porta para entrar, vestindo um sobretudo cor de café claro; a sua aura era gentil, mas confiante, e ela logo lhe mostrou um leve sorriso de longe.
Diferente de sua postura rigorosa e eficiente como Diretor Lopes na NexGen, diante de Renata, ela exibia uma suavidade a mais de amiga.
"Esperou por muito tempo?"
"Não, acabei de chegar." Renata se levantou.
Ambas sentaram-se frente a frente. Sófia não tocou num assunto pesado logo de cara; apenas pediu primeiro duas xícaras de café e perguntou casualmente sobre a sua situação recente.
"Já se acostumou com a nova casa?"
"Sim." Renata assentiu, com um tom calmo: "É pequena, mas é segura, não preciso agradar a ninguém e não preciso ficar tensa o tempo todo."
Sófia olhou-a, e um lampejo de pena passou pelo seu olhar.
Nos últimos tempos, a vida de Renata fora difícil demais.
Envenenamento, amnésia, ser presa numa mansão que não era sua, encarar a paranoia de Daniel, suportar as perversidades de Gabriela, sem sequer conseguir manter a salvo um gatinho que tivera tanto trabalho para resgatar.
Qualquer outra pessoa teria entrado em colapso há muito tempo.
Mas ela aguentou firme.
Chegou ao ponto de se mudar no meio da noite, cortando proativamente relações que a sufocavam, para conquistar a sua própria liberdade.
Aquela resiliência nunca fora uma coincidência.
"Fico aliviada por você pensar dessa forma." Sófia disse com uma voz suave. "Mandei dar um aviso a Daniel; ele não a perturbará mais à força, apenas garantirá a sua segurança no escuro."
As pontas dos dedos de Renata pausaram levemente, e ela levantou o olhar: "Obrigada."
"Não precisa de cerimônias comigo." Sófia balançou a cabeça devagar e, após um momento de silêncio, o seu tom gradualmente tornou-se solene: "Ontem você me perguntou que tipo de pessoa você era antes. Eu só te contei a metade; hoje, vou te contar o restante."
O coração de Renata se encheu de expectativa num instante.
Ela inclinou o corpo ligeiramente para a frente, o olhar focado, os cílios tremendo levemente, reprimindo o nervosismo e a ansiedade.
Foi a sua primeira vez a ter uma verdadeira oportunidade de tocar num passado completo, em vez de frases dispersas e fragmentadas.
"Você não era uma dama rica no sentido comum." A voz de Sófia foi lenta, tão clara que cada palavra pousou firmemente no coração de Renata: "Você estudou medicina."
Renata ficou atordoada.
Medicina?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...