"Eles não se aproximarão, não a incomodarão, não deixarão que você os note, apenas garantirão a sua segurança."
"Quando a sua raiva passar, quando eu descobrir a verdade e te der uma explicação, está bem?"
Ele já havia cedido ao limite.
Sem ousar forçar, sem ousar aprisionar, ele só podia proteger a segurança dela daquela maneira humilde.
Renata permaneceu em silêncio por um momento.
Ela conhecia a sua personalidade; se o encurralasse completamente, talvez ele fizesse algo extremo. Aquele já era o melhor resultado.
"Faça o que quiser." Ela desviou o olhar friamente. "Apenas não apareça na minha frente e não perturbe a minha vida."
"Está bem." Daniel concordou em voz baixa.
Renata não se demorou.
Ela não queria ficar mais nem um segundo naquela mansão sufocante.
Subiu as escadas e guardou as suas próprias coisas num instante.
Não era muito, apenas algumas peças de roupa, uma pequena bolsa e um pouco de dinheiro que Sófia deixara quando fora visitá-la.
Ela não pegou nada que fosse do Daniel, não usou as joias que ele dera, não levou as bolsas que ele comprara, e nem sequer quis tocar no dinheiro que ele havia recarregado no seu celular.
Ela queria ir embora de forma limpa e completa.
Após fazer as malas, parou na porta do quarto e deu uma última olhada naquele lugar em que morara por pouco tempo, mas que estivera cheio de inquietação e mágoas.
Não havia apego, não havia saudades, havia apenas alívio.
Segurando a pequena mala, sem se despedir de ninguém e sem olhar novamente para o quartinho no quintal que continha o corpo do gatinho, ela desceu as escadas direto.
As empregadas estavam ao lado, sem ousar impedi-la, apenas a observando com inquietação.
Daniel estava sentado no sofá da sala de estar, vestindo roupas escuras. Ele estava completamente imerso nas sombras; não era possível distinguir a sua expressão, mas todo o seu corpo emanava uma aura pesada.
Ao ouvir os passos, ele não levantou a cabeça e apenas disse em voz baixa: "Enviei pessoas para te seguirem em segredo, não deixarei que você os perceba."
"Coloquei algum dinheiro no forro da sua bolsa. Não tem problema se você não o usar, considere apenas como o meu... pedido de desculpas a você."
"Não importa o que aconteça, não importa o quão tarde seja, me dê um telefonema e eu aparecerei imediatamente."
A voz dele estava muito baixa, carregada de uma rouquidão reprimida.
Os passos de Renata pararam por um instante. Sem se virar, sem responder, ela soltou apenas um "humpf" frio, como um sinal de desdém.
Ela abriu a porta principal, o vento frio da noite soprou no seu rosto, bagunçando o seu cabelo e levando também o último resquício de apego.
Sem despedidas.
Sem olhar para trás.
Foi assim que ela caminhou para dentro da noite, passo a passo, de costas retas.
Daniel ergueu a cabeça lentamente, observando a sua figura resoluta se afastando, até que ela desaparecesse completamente pela porta e não pudesse mais ser vista.
Ele deu um soco forte no braço do sofá, os nós dos dedos empalidecendo; um baque abafado soou, revelando um pouco da dor reprimida.
"Senhor." Um subordinado saiu das sombras e disse em voz baixa: "Tudo já foi providenciado, os nossos homens estão seguindo a Srta. Rocha e não serão descobertos, ela estará segura durante todo o trajeto."
"Investiguem." A voz de Daniel soou tão fria que cortava os ossos. "Investiguem imediatamente, vejam se o que aconteceu com o gato foi obra da Gabriela."
"Eu quero provas, provas concretas."
"Sim, senhor." O subordinado não ousou se demorar, virou-se de imediato e foi cumprir a ordem.
Daniel sentou-se sozinho na escuridão, imóvel.
Ele não correu atrás dela.
Não a puxou de volta à força.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...