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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1537

Lucas acabara de desligar o telefone de Geovana, e a ponta dos dedos ainda descansava na borda do aparelho. Em seu rosto habitualmente indiferente, aquela suavidade quase imperceptível ainda não havia desaparecido completamente.

Ao erguer os olhos, sua expressão voltou à frieza de costume, como se aquela conversa tingida de uma suave impotência nunca tivesse ocorrido.

Sófia permanecia ao lado, com as mãos casualmente nos bolsos do sobretudo. A brisa levantava alguns fios de cabelo em suas têmporas, e havia um sorriso compreensivo em seus olhos. Sua voz era gentil, porém direta: "Os sentimentos entre vocês dois estão claramente avançando a passos largos ultimamente."

Lucas olhou para ela de soslaio, seu rosto imperturbável, o tom de voz calmo como sempre: "Sempre foi assim."

Depois de uma pausa, ele ergueu de leve a sobrancelha: "Nós somos amigos, não somos?"

Ao ouvir essas palavras, Sófia soltou uma leve risada.

Ela conhecia Lucas bem demais.

Frio, contido, especialista em encobrir todas as suas emoções com a razão. Quanto mais ele se importava, mais ele se acostumava a usar a palavra "amigos" como disfarce, como se apenas colar aquele rótulo bastasse.

Dessa forma, toda a preocupação, o carinho e a possessividade escondidos no fundo de seu coração se tornariam naturais, sem parecerem forçados, e nunca fugiriam ao seu controle.

No entanto, alguns sentimentos jamais poderiam ser resumidos pela palavra "amigos".

Sófia parou de rir, lançou-lhe um olhar sério e o seu tom tornou-se calmo, mas afiado: "Lucas, pare de se enganar."

"Vocês já são casados, são marido e mulher reconhecidos pela lei. Vocês dividem a mesma cama e vivem debaixo do mesmo teto dia e noite. Esse rótulo de 'amigos' não pode durar para sempre."

Sem qualquer tom de gozação, sua voz soava como um aviso sincero: "A luz da casa de Geovana não quebrou de verdade; ela apenas sentiu a sua falta. Porque você não está por perto, ela se sente insegura."

Os dedos de Lucas caídos ao lado do corpo contraíram-se de modo quase imperceptível.

Ele não contestou.

Havia certos pensamentos que ele podia esconder de todos, de Geovana e até de si mesmo em autoengano, mas não de Sófia, com quem trabalhava lado a lado há tantos anos e com quem compartilhava uma sintonia profunda.

Entre ele e Geovana, desde o começo, não fora apenas um simples casamento de conveniência, tampouco uma amizade comum.

Foram os inúmeros momentos enfrentando as tempestades juntos, protegendo a vida um do outro, apoiando-se na calada da noite, que lentamente gravaram a presença do outro no seu próprio mundo.

O único problema era que ele se habituara ao autocontrole, à frieza, a nunca revelar abertamente as suas emoções. Por isso, continuava usando a palavra "amigos" repetidamente como seu consolo.

Sófia, vendo-o calado, não insistiu mais. Deu apenas um leve tapinha no seu ombro: "Não precisa admitir imediatamente nem se apressar em responder. Mas não a faça esperar por muito tempo. O coração de uma mulher não suporta ser testado constantemente."

Lucas ergueu lentamente os olhos, um olhar sombrio, e depois de muito tempo, murmurou suavemente um "Uhum".

Aquele som suave parecia uma aceitação silenciosa, ou mesmo um rendimento.

O grupo retornou de carro ao hotel.

Ivan caminhou em silêncio atrás de Sófia. Antes de entrar no hotel, observou calmamente o ambiente ao redor e, após constatar que não havia nada de errado, assentiu levemente, sinalizando que estava seguro.

"Srta. Lopes, estou no quarto ao lado do seu. Me chame a qualquer momento se precisar de alguma coisa."

"Está bem, obrigada," Sófia assentiu.

Ao retornar ao quarto, ela aliviou o cansaço do dia, tirou o sobretudo, soltou o cabelo, e assim que foi pegar um copo de água morna, ouviram-se batidas suaves na porta.

Sófia ficou levemente surpresa, foi até a porta e espiou pelo olho mágico. Quem estava de pé ali era Elias.

Ela abriu a porta e o seu tom foi gentil e educado: "Algum problema?"

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