Lucas acabara de desligar o telefone de Geovana, e a ponta dos dedos ainda descansava na borda do aparelho. Em seu rosto habitualmente indiferente, aquela suavidade quase imperceptível ainda não havia desaparecido completamente.
Ao erguer os olhos, sua expressão voltou à frieza de costume, como se aquela conversa tingida de uma suave impotência nunca tivesse ocorrido.
Sófia permanecia ao lado, com as mãos casualmente nos bolsos do sobretudo. A brisa levantava alguns fios de cabelo em suas têmporas, e havia um sorriso compreensivo em seus olhos. Sua voz era gentil, porém direta: "Os sentimentos entre vocês dois estão claramente avançando a passos largos ultimamente."
Lucas olhou para ela de soslaio, seu rosto imperturbável, o tom de voz calmo como sempre: "Sempre foi assim."
Depois de uma pausa, ele ergueu de leve a sobrancelha: "Nós somos amigos, não somos?"
Ao ouvir essas palavras, Sófia soltou uma leve risada.
Ela conhecia Lucas bem demais.
Frio, contido, especialista em encobrir todas as suas emoções com a razão. Quanto mais ele se importava, mais ele se acostumava a usar a palavra "amigos" como disfarce, como se apenas colar aquele rótulo bastasse.
Dessa forma, toda a preocupação, o carinho e a possessividade escondidos no fundo de seu coração se tornariam naturais, sem parecerem forçados, e nunca fugiriam ao seu controle.
No entanto, alguns sentimentos jamais poderiam ser resumidos pela palavra "amigos".
Sófia parou de rir, lançou-lhe um olhar sério e o seu tom tornou-se calmo, mas afiado: "Lucas, pare de se enganar."
"Vocês já são casados, são marido e mulher reconhecidos pela lei. Vocês dividem a mesma cama e vivem debaixo do mesmo teto dia e noite. Esse rótulo de 'amigos' não pode durar para sempre."
Sem qualquer tom de gozação, sua voz soava como um aviso sincero: "A luz da casa de Geovana não quebrou de verdade; ela apenas sentiu a sua falta. Porque você não está por perto, ela se sente insegura."
Os dedos de Lucas caídos ao lado do corpo contraíram-se de modo quase imperceptível.
Ele não contestou.
Havia certos pensamentos que ele podia esconder de todos, de Geovana e até de si mesmo em autoengano, mas não de Sófia, com quem trabalhava lado a lado há tantos anos e com quem compartilhava uma sintonia profunda.
Entre ele e Geovana, desde o começo, não fora apenas um simples casamento de conveniência, tampouco uma amizade comum.
Foram os inúmeros momentos enfrentando as tempestades juntos, protegendo a vida um do outro, apoiando-se na calada da noite, que lentamente gravaram a presença do outro no seu próprio mundo.
O único problema era que ele se habituara ao autocontrole, à frieza, a nunca revelar abertamente as suas emoções. Por isso, continuava usando a palavra "amigos" repetidamente como seu consolo.
Sófia, vendo-o calado, não insistiu mais. Deu apenas um leve tapinha no seu ombro: "Não precisa admitir imediatamente nem se apressar em responder. Mas não a faça esperar por muito tempo. O coração de uma mulher não suporta ser testado constantemente."
Lucas ergueu lentamente os olhos, um olhar sombrio, e depois de muito tempo, murmurou suavemente um "Uhum".
Aquele som suave parecia uma aceitação silenciosa, ou mesmo um rendimento.
O grupo retornou de carro ao hotel.
Ivan caminhou em silêncio atrás de Sófia. Antes de entrar no hotel, observou calmamente o ambiente ao redor e, após constatar que não havia nada de errado, assentiu levemente, sinalizando que estava seguro.
"Srta. Lopes, estou no quarto ao lado do seu. Me chame a qualquer momento se precisar de alguma coisa."
"Está bem, obrigada," Sófia assentiu.
Ao retornar ao quarto, ela aliviou o cansaço do dia, tirou o sobretudo, soltou o cabelo, e assim que foi pegar um copo de água morna, ouviram-se batidas suaves na porta.
Sófia ficou levemente surpresa, foi até a porta e espiou pelo olho mágico. Quem estava de pé ali era Elias.
Ela abriu a porta e o seu tom foi gentil e educado: "Algum problema?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...