No momento em que a porta principal se fechou, a mansão inteira pareceu subitamente ficar vazia.
Renata estava parada no meio da sala de estar, apertando levemente os dedos.
Após a perda de memória, ela sempre manteve um instintivo sentimento de distanciamento daquela enorme casa.
Embora fosse luxuosa e confortável, parecia uma gaiola requintada, com o próprio ar carregando um peso indescritível.
Daniel estava de pé não muito longe dali, com um olhar sereno sobre ela, sem ousar chegar muito perto, mas também sem se afastar demais.
Desde que ela acordou, ele agia dessa maneira.
Como uma fera que recolheu todas as suas garras, deixando transparecer apenas pura cautela.
"O quarto no andar de cima tem um banheiro privativo." A voz dele soava muito baixa, com medo de assustá-la. "A temperatura da água já está ajustada; se você estiver cansada, pode ir tomar um banho primeiro."
Renata ergueu a cabeça para olhá-lo, com seus olhos ainda puros e confusos.
Naqueles dias, ela se cansava com muita facilidade e ainda carregava consigo o cheiro de desinfetante do hospital. De fato, queria muito tomar um bom banho.
Ela assentiu levemente: "Está bem."
Observando as costas dela subindo as escadas, frágeis e silenciosas, o coração de Daniel deu um leve solavanco.
Ele havia olhado para as costas dela incontáveis vezes no passado.
Quando era mais jovem, ela vivia saltitando atrás dele, orgulhosa e radiante.
Mais tarde, após ter sido presa por ele, tornou-se fria e teimosa, onde cada passo seu carregava ódio.
E então veio o envenenamento e o coma, quando ela esteve à beira da morte.
Porém, apenas aquele momento — aquele jeito vazio, dócil, desprovido de qualquer rastro de amor ou ódio — era o que mais o deixava desesperado.
Ele sentou-se no sofá da sala de estar, seus dedos batucando inconscientemente nos próprios joelhos.
Sua mente estava inundada pela forma como ela olhou para ele assim que despertou —
Um olhar de estranheza, distanciamento e incompreensão, como se estivesse diante de um total desconhecido sem nenhuma importância.
-
O tempo passava minuto a minuto, segundo a segundo.
O som da água do banheiro lá em cima, de nítido no começo, aos poucos se tornava abafado.
Dez minutos.
Vinte minutos.
Meia hora.
As sobrancelhas de Daniel franziram-se pouco a pouco.
A saúde de Renata já estava extremamente frágil; recém-saída do hospital, ficar muito tempo presa num banheiro cheio de vapor faria com que fosse muito fácil ela sofrer com a falta de oxigênio, sentir tonturas ou até desmaiar.
Uma lufada de vapor quente atingiu seu rosto; o ar estava denso e enevoado.
A luz amarela e quente se dissipava através do vapor d'água, criando uma atmosfera nebulosa que faria qualquer um prender a respiração.
Renata estava ali, sob o chuveiro, de costas para a porta.
As gotas de água deslizavam lentamente ao longo das linhas delicadas de seus ombros, escorrendo por sua cintura fina até desaparecerem nas partes mal cobertas por uma toalha branca de banho.
O cabelo úmido grudava em sua nuca, enquanto sua pele, ruborizada pelo vapor quente num tom de rosa suave, parecia tão frágil que se quebraria ao menor toque.
Ouvindo o movimento, ela se virou de supetão.
Os olhos de ambos se encontraram.
O tempo pareceu parar naquele instante.
Renata ficou paralisada onde estava. Seu rosto queimou instantaneamente de vergonha, a vermelhidão se espalhando pelas bochechas até as pontas das orelhas, cobrindo até mesmo seu pescoço com um tom rosado.
Em um gesto instintivo, ela cruzou os braços apertando-os contra si, encolhendo o próprio corpo com um olhar aterrorizado e indefeso, exatamente como uma corça assustada.
No meio do vapor nebuloso, seus traços permaneciam de uma inocência absurda; os cílios, umedecidos pelas gotas d'água, tremiam de leve.
As pupilas de Daniel se contraíram violentamente.
O sangue subiu à cabeça numa fração de segundo, e sua respiração imediatamente perdeu o ritmo.
Ele já havia visto inúmeras facetas dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...