O tempo pareceu parar naquele momento.
Sófia olhou para o homem ajoelhado à sua frente.
Nesse instante, ajoelhado com uma perna, os olhos dele estavam cheios de tensão, expectativa e uma angústia cautelosa.
Todo o seu orgulho, todo o seu lado autoritário e todos os seus segredos haviam sido revelados e colocados diante dela.
Ele apenas a questionou com uma única frase—
Você aceita se casar comigo?
Sófia não pôde resistir mais.
Ela ergueu-se de um salto da cadeira, sem se importar que as lágrimas estivessem caindo e ignorando a sua imagem e qualquer restrição.
Ela se inclinou e abriu os braços, abraçando-o com força.
Os seus braços o envolveram firmemente pelo pescoço, o seu rosto ficou afundado entre o pescoço e o ombro dele, e as lágrimas quentes encharcaram a roupa dele.
"Eu aceito."
O corpo de Gregório ficou rígido.
No segundo seguinte, ele retribuiu o abraço, puxando-a com tanta força que parecia querer fundi-la com os seus ossos.
O coração que estava ansioso há tanto tempo finalmente pousou no chão.
Toda a tensão, todas as dúvidas e as preocupações foram derretidas por aquele "Eu aceito".
Ele enterrou o rosto na curvatura do pescoço dela, e a sua voz estremeceu levemente de alegria pela bênção recém-recuperada e de gentileza:
"Obrigado, Sófia."
"Obrigado por aceitar se casar comigo."
"De agora em diante, não vou deixar você chorar de novo."
"Nunca mais."
Sófia o abraçou com ainda mais força, chorando compulsivamente, mas as suas lágrimas não eram de angústia. Era como se as emoções que haviam ficado guardadas por tanto tempo, finalmente fossem todas liberadas de uma só vez naquele instante.
Chorava pelas chances perdidas no passado.
Chorava por todas as tempestades que enfrentaram.
Chorava pelo fato de que eles, finalmente, haviam alcançado aquele patamar.
Chorava porque ele finalmente pronunciara aquelas palavras de pedido de casamento, com muitos anos de atraso.
Nenhum deles sabia quanto tempo ficaram abraçados.
-
No dia em que Renata recebeu alta do hospital.
O tempo clareou, o que era raro.
A luz do sol adentrou através das janelas de vidro do corredor, caindo sobre a sua silhueta ligeiramente magra, o que, no fim de tudo, conferiu-lhe um ar de vivacidade.
Ela estava vestida com roupas casuais de cor branca creme, e o seu cabelo pendia de forma relaxada sobre os seus ombros, revelando a falta de expressões no rosto.
A amnésia era como um véu suave que a envolvia, isolando-a de todo o sofrimento, das lutas e dos ódios de outrora.
Agora, no seu mundo, Daniel era um homem incrivelmente doce, com os olhos sempre carregados de ternura e remorso.
Era o indivíduo que ficou ao lado dela o tempo todo, sem arredar o pé desde que ela acordara.
O médico repetia incessantemente que a saúde de Renata se encontrava muito débil. Ela não corria mais risco de perder a vida, no entanto, necessitaria de descansar em silêncio. Ela não podia sofrer estimulações, fatigar-se e não deveria voltar a envolver-se em pressões e esgotamentos psicológicos.
O melhor lugar para estar era, indubitavelmente, num ambiente privado, com rígidas precauções de segurança e conforto garantido: a Mansão Azevedo.
Ao saber dessas medidas, Sófia logo obscureceu as suas expressões faciais.
"Não, não concordo com isso."
Em pé dentro da enfermaria, ela exclamou: "Não posso ficar tranquila deixando-a perto de Daniel novamente. Aquela casa é como uma prisão para ela, não posso deixá-la voltar para lá."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...