Entrar Via

A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1511

Quanto mais ela subia, mais sentia no ar uma fragrância muito suave, mas extremamente agradável.

Não era o aroma que costumavam usar em casa.

Eram rosas misturadas com um toque de cedro e um perfume quente, tão suave que não parecia invasivo.

O coração de Sófia deu um leve sobressalto, e uma vaga premonição começou a brotar silenciosamente.

As portas de correr do terraço, feitas de madeira maciça, estavam entreabertas.

Ela empurrou delicadamente, e as dobradiças emitiram um som muito baixo.

No segundo seguinte, a cena diante de seus olhos fez com que ela parasse completamente onde estava.

Todo o terraço havia sido decorado de forma meticulosa.

Cordões de luzes com um tom amarelo quente estavam enrolados nas grades, como se tivessem colhido as estrelas estilhaçadas de todo o céu noturno.

De ambos os lados havia enormes buquês de rosas brancas e rosas-champanhe. As pétalas eram cheias e carregavam a umidade do orvalho matinal, exalando uma fragrância gentil e reconfortante.

No centro, uma longa mesa de jantar branca estava coberta com uma toalha perfeitamente passada. Havia duas taças, uma garrafa de vinho tinto devidamente decantado e duas velas brancas e finas num castiçal, já silenciosamente acesas.

A luz das chamas balançava suavemente, iluminando todo o terraço de uma forma absurdamente terna.

Sem barulho, sem pessoas extras.

Apenas a brisa noturna, a luz das estrelas, o perfume das flores e a luz das velas.

E também havia o homem em pé, no centro do mar de flores e luzes, esperando por ela em silêncio.

Ele vestia um suéter de tricô bege-escuro que lhe conferia uma aparência dócil, com as mangas cuidadosamente dobradas até os antebraços. A sua silhueta parecia excepcionalmente suave sob a luz das velas.

O seu olhar, que normalmente era sempre calmo e penetrante, agora pousava sobre ela com uma leve tensão, algo que ela não via há muito tempo.

Sófia ficou de pé à porta, por um momento esquecendo-se de como falar.

Não que eles nunca tivessem tido momentos românticos.

Estavam juntos há tantos anos, dividindo alegrias e tristezas, enfrentando a vida e a morte juntos. A ternura e a cumplicidade já estavam gravadas na carne e no sangue de ambos.

Porém, uma cena tão solene, tão silenciosa e com um ar tão cerimonial, era a primeira vez que ela presenciava.

De início, eles não falaram sobre assuntos pesados.

Não mencionaram Renata, não falaram sobre envenenamento, nem de amnésia, nem de Vicente, e não tocaram nos perigos e conspirações que ainda pairavam.

Eles agiam como um casal comum que acabara de se reencontrar após uma breve separação, desfrutando silenciosamente de uma refeição.

Gregório serviu-lhe a comida, todos pratos com os sabores que ela adorava, preparados à perfeição. Ele lembrava-se de todos os seus hábitos: não comia coentro, preferia pouco sal, não gostava da comida muito quente e o vinho tinto precisava estar no ponto exato da decantação.

Eram pequenos detalhes que ele lembrava há muitos anos.

Sófia comia devagar, e os nervos que estiveram tensos durante três dias relaxaram pouco a pouco.

Lá fora, ela era a Sófia calma, determinada e independente.

Era o pilar em que as pessoas podiam se apoiar quando algo de ruim acontecia a um amigo.

Era a pessoa que discursava nos painéis da cúpula com uma postura firme e segura.

Mas apenas na presença de Gregório ela não precisava ser forte, não precisava suportar o peso do mundo e não precisava estar em constante estado de alerta.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa