Quanto mais ela subia, mais sentia no ar uma fragrância muito suave, mas extremamente agradável.
Não era o aroma que costumavam usar em casa.
Eram rosas misturadas com um toque de cedro e um perfume quente, tão suave que não parecia invasivo.
O coração de Sófia deu um leve sobressalto, e uma vaga premonição começou a brotar silenciosamente.
As portas de correr do terraço, feitas de madeira maciça, estavam entreabertas.
Ela empurrou delicadamente, e as dobradiças emitiram um som muito baixo.
No segundo seguinte, a cena diante de seus olhos fez com que ela parasse completamente onde estava.
Todo o terraço havia sido decorado de forma meticulosa.
Cordões de luzes com um tom amarelo quente estavam enrolados nas grades, como se tivessem colhido as estrelas estilhaçadas de todo o céu noturno.
De ambos os lados havia enormes buquês de rosas brancas e rosas-champanhe. As pétalas eram cheias e carregavam a umidade do orvalho matinal, exalando uma fragrância gentil e reconfortante.
No centro, uma longa mesa de jantar branca estava coberta com uma toalha perfeitamente passada. Havia duas taças, uma garrafa de vinho tinto devidamente decantado e duas velas brancas e finas num castiçal, já silenciosamente acesas.
A luz das chamas balançava suavemente, iluminando todo o terraço de uma forma absurdamente terna.
Sem barulho, sem pessoas extras.
Apenas a brisa noturna, a luz das estrelas, o perfume das flores e a luz das velas.
E também havia o homem em pé, no centro do mar de flores e luzes, esperando por ela em silêncio.
Ele vestia um suéter de tricô bege-escuro que lhe conferia uma aparência dócil, com as mangas cuidadosamente dobradas até os antebraços. A sua silhueta parecia excepcionalmente suave sob a luz das velas.
O seu olhar, que normalmente era sempre calmo e penetrante, agora pousava sobre ela com uma leve tensão, algo que ela não via há muito tempo.
Sófia ficou de pé à porta, por um momento esquecendo-se de como falar.
Não que eles nunca tivessem tido momentos românticos.
Estavam juntos há tantos anos, dividindo alegrias e tristezas, enfrentando a vida e a morte juntos. A ternura e a cumplicidade já estavam gravadas na carne e no sangue de ambos.
Porém, uma cena tão solene, tão silenciosa e com um ar tão cerimonial, era a primeira vez que ela presenciava.
De início, eles não falaram sobre assuntos pesados.
Não mencionaram Renata, não falaram sobre envenenamento, nem de amnésia, nem de Vicente, e não tocaram nos perigos e conspirações que ainda pairavam.
Eles agiam como um casal comum que acabara de se reencontrar após uma breve separação, desfrutando silenciosamente de uma refeição.
Gregório serviu-lhe a comida, todos pratos com os sabores que ela adorava, preparados à perfeição. Ele lembrava-se de todos os seus hábitos: não comia coentro, preferia pouco sal, não gostava da comida muito quente e o vinho tinto precisava estar no ponto exato da decantação.
Eram pequenos detalhes que ele lembrava há muitos anos.
Sófia comia devagar, e os nervos que estiveram tensos durante três dias relaxaram pouco a pouco.
Lá fora, ela era a Sófia calma, determinada e independente.
Era o pilar em que as pessoas podiam se apoiar quando algo de ruim acontecia a um amigo.
Era a pessoa que discursava nos painéis da cúpula com uma postura firme e segura.
Mas apenas na presença de Gregório ela não precisava ser forte, não precisava suportar o peso do mundo e não precisava estar em constante estado de alerta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...