A pessoa que há alguns dias estava competindo com ela por Daniel, e que quase morreu após ser envenenada por ela, agora estava deitada silenciosamente na cama, com o olhar vazio, como uma criança que não entendia nada.
Ela realmente havia perdido a memória.
Exatamente como os rumores diziam.
Gabriela suprimiu as emoções que fervilhavam em seu coração. "Renata, você finalmente acordou. Como se sente? Ainda está doendo?"
Renata virou a cabeça lentamente e olhou para ela.
O olhar era límpido, estranho e sem qualquer vestígio de emoção.
Não havia aversão, nem cautela, nem sarcasmo e, muito menos, intenção de expor sua maldade.
Era como se estivesse olhando para uma estranha que acabara de conhecer.
O coração de Gabriela relaxou por completo.
Era verdade.
Ela não se lembrava de nada.
Não se lembrava do veneno no caldo especial, não se lembrava da crueldade com que ela forçou o remédio goela abaixo, não se lembrava de todas as suas farsas e armadilhas.
Que maravilha.
Deus realmente estava do seu lado.
Gabriela comemorou loucamente em seu coração, mas por fora manteve aquela aparência frágil e bondosa. Seus olhos ficaram um pouco vermelhos, ela estendeu a mão como se fosse tocar a testa de Renata, mas com medo de assustá-la, recuou suavemente, parecendo extremamente cuidadosa.
"Ouvi dizer que você havia acordado e fiquei tão preocupada que não consegui dormir a noite inteira. Levantei cedo para preparar um caldo para você. Seu corpo ainda está fraco, precisa recuperar as forças."
Enquanto falava, ela abriu a garrafa térmica, e um aroma leve se espalhou pelo ambiente.
O caldo era real, e os nutrientes também.
Só que, desta vez, não havia veneno dentro.
Gabriela não era tão burra para agir num momento crucial como aquele.
A amnésia de Renata era, para ela, o melhor resultado possível.
Antes, Renata era a pessoa mais importante para Daniel, a obsessão cravada em seus ossos, a paixão insubstituível que ela jamais conseguiria roubar ou superar.
Por Renata, Daniel poderia ignorá-la, injustiçá-la, prender Renata e também rejeitar a sua própria noiva.
Mas ela não conseguia se lembrar de nada, então só pôde atribuir essa aversão inexplicável à sua cautela em relação a estranhos.
"Você é..." Renata perguntou, com a voz ainda um tanto seca e rouca.
Gabriela imediatamente exibiu um sorriso terno, com um tom íntimo e natural: "Eu sou Gabriela, a noiva do Daniel."
"Quando você morava na nossa casa antes, nos vimos muitas vezes. Eu sempre trazia comida para você e ficava conversando. Você não se lembra?"
Ela distorceu os fatos sem mudar de expressão, retratando a si mesma como uma pessoa gentil, amigável e que cuidava frequentemente de Renata.
A frase "a noiva do Daniel" foi pronunciada com ênfase deliberada.
O objetivo dela era gravar aquele rótulo desde cedo na memória em branco de Renata —
Daniel é meu.
Eu sou a parceira legítima dele.
Você não é nada e nem tente tirá-lo de mim.
Renata balançou a cabeça confusa: "Eu... eu não me lembro."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...