Daniel estava praticamente pregado à porta, a barba por fazer, os olhos assustadoramente vermelhos, o terno tão amassado que mal se reconhecia o corte original, parecia um prisioneiro guardando seu último raio de luz.
Ele não ousava sair.
Não ousava dormir.
Não ousava ouvir o médico dizer qualquer palavra ruim.
Desde que Sófia e Gregório partiram naquele dia, a tensão em seu peito não havia diminuído nem por um segundo.
De um lado, a vida de Renata por um fio, do outro, o envenenamento causado por Gabriela ainda sem resolução, somado àquele vulto no estacionamento...
Daniel sabia melhor do que ninguém quem era.
Vicente.
Assim que essa pessoa aparecia, as coisas deixavam de ser sobre simples cativeiro, ciúmes ou envenenamento.
Era sobre vida ou morte.
-
Na mesma hora, no escritório da cobertura da Mansão Pacheco.
O abajur de chão estava aceso, e a atmosfera era pesada como chumbo.
Sófia estava sentada no sofá, com as pontas dos dedos geladas. Ao fechar os olhos, via Renata na UTI cheia de tubos e aquela silhueta no estacionamento que a fazia arrepiar.
"Gregório", a voz dela era suave. "Eu realmente não vi errado, era o Vicente."
Gregório estava de pé diante da janela, de costas, postura ereta, vestindo uma camisa escura. Faltava-lhe a gentileza habitual, substituída por uma frieza que afastava qualquer um.
"Eu sei."
Ele se virou, os olhos sem qualquer oscilação, apenas uma calma gélida.
"Ele não apareceu por acaso."
"O envenenamento da Renata não foi obra apenas da ousadia de Gabriela."
"Alguém está por trás dando suporte, fornecendo os meios, dando coragem."
Sófia levantou a cabeça bruscamente: "Você quer dizer que... o veneno da Gabriela foi dado pelo Vicente?"
"É quase certo", disse Gregório com voz grave. "Nos anos em que Vicente esteve fora, ele lidou muito com coisas proibidas. Aquele tipo de veneno inodoro, insípido e difícil de rastrear é exatamente o estilo dele."
"Gabriela, uma mulher mimada, não teria canais para conseguir esse tipo de droga."
"O que você pretende fazer?" Ela levantou o olhar.
"Investigar", respondeu Gregório secamente. "Já mandei bloquearem e investigarem todas as fronteiras, hotéis, clubes, qualquer lugar onde ele possa estar."
"Já que ele ousou mostrar a cara, não vai conseguir se esconder facilmente de novo."
Os homens sob o comando dele não seguiam as regras normais.
Conseguiam informações tanto do mundo legal quanto do submundo, encontrando pessoas mais rápido, com mais precisão e mais crueldade do que a polícia.
"Mas..." Gregório fez uma pausa. "Vicente é escorregadio. Só com o meu lado, talvez não consiga segurá-lo de imediato."
Sófia entendeu na hora: "Você vai procurar o Daniel."
"Sim", assentiu Gregório. "Daniel vigia a Renata tão de perto que ele certamente já sabia da existência do Vicente."
"Ele tem informações, contatos e esquemas de segurança que eu não tenho. Para proteger a Renata, precisamos nos unir."
O rosto de Sófia fechou-se imediatamente: "Eu não confio nele."
"Eu sei que você está decepcionada." Gregório aproximou-se, agachou-se na frente dela e segurou suas mãos. "Mas agora não é hora de birra."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...