Ele conseguia ver a dor e o dilema no interior de Daniel.
Mas o dano que Renata sofrera era irreversível.
"Você tem escolha." Gregório olhou para Daniel. "Você apenas não quer escolher."
"Você poderia nos contar a verdade. Nós pensaríamos em uma solução juntos, a protegeríamos juntos, sem precisar chegar a esse ponto de aprisionamento."
"Você guarda tudo para si, achando que está fazendo o melhor para ela, mas no fim só vai destruir os dois."
Daniel fechou os olhos e não disse mais nada.
Havia coisas que ele não podia dizer.
Se dissesse, Renata estaria em ainda mais perigo.
-
Sófia não queria falar mais nenhuma palavra com Daniel.
Olhar para ele mais uma vez só aumentava sua decepção.
Através do vidro, ela olhou profundamente para Renata, inconsciente no leito da UTI.
"Renata, você precisa acordar."
"Quando acordar, eu vou te levar embora."
"Para nunca mais voltar, para nunca mais sofrer assim."
Após confirmar que o estado de Renata estava temporariamente estável, Sófia puxou o braço de Gregório: "Vamos."
Gregório assentiu e não se demorou.
Os dois se viraram e caminharam em direção ao elevador.
O rosto de Sófia estava frio.
Ela estava realmente desiludida com Daniel até o fundo da alma.
-
O elevador desceu lentamente até o estacionamento subterrâneo.
A garagem do hospital.
Gregório segurava firme a mão de Sófia, temendo que ela se desestabilizasse emocionalmente ou que algo lhe acontecesse.
"Não fique tão brava", consolou ele em voz baixa. "Renata vai acordar. Quando ela acordar, nós a levaremos embora e não deixaremos Daniel machucá-la mais."
Sófia assentiu levemente, com os olhos ainda vermelhos. "Só me dói o coração pela Renata. Ela é tão orgulhosa, tão boa... Por que tem que sofrer assim?"
"Vai passar." Gregório a abraçou, dando tapinhas leves em suas costas. "Tudo vai passar."
Sófia encostou-se no peito dele, respirou fundo e tentou se acalmar.
Foi então que...
Esse nome explodiu em sua mente como um trovão.
Vicente.
Sófia sentiu o corpo gelar, mãos e pés frios, e instintivamente agarrou com força o braço de Gregório, com as pontas dos dedos tremendo.
"Gregório..."
A voz dela tremia, quase sem tom.
Gregório percebeu que algo estava errado e imediatamente a amparou, franzindo a testa: "O que foi? Onde você não está se sentindo bem?"
"Eu acabei de..." Sófia encarava a van executiva, os lábios tremendo. "Eu acho que vi o Vicente."
O rosto de Gregório fechou-se instantaneamente.
"Onde?" Ele olhou imediatamente na direção que ela indicava.
Mas, naquele momento, o carro preto estava parado silenciosamente no canto, sem nenhum movimento, vidros fechados, sem sinal de ninguém, como se o vulto de antes fosse apenas uma alucinação de Sófia.
Sófia encarava fixamente o veículo, as palmas das mãos suando frio.
Ela não tinha visto errado.
Absolutamente não.
O perfil, o olhar, a aura daquele instante estavam gravados no fundo de sua memória. Mesmo que ele virasse cinzas, ela o reconheceria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...