Aquele olhar parecia querer estraçalhá-la em pedaços.
"Suma."
Daniel expeliu a palavra entre os dentes, fria, cruel, sem qualquer emoção.
Gabriela sentiu o corpo amolecer de medo, quase caiu, e não ousou dar mais um passo.
Os médicos e a ambulância chegaram na velocidade máxima.
A equipe de emergência invadiu o quarto e imediatamente iniciou a reanimação de Renata.
Monitor cardíaco, oxigênio, massagem cardíaca... todos os meios possíveis foram usados.
"Paciente sem respiração espontânea, sem batimentos cardíacos, pupilas dilatadas..."
"Corpo extremamente fraco, jejum prolongado, falência de órgãos, suspeita de intoxicação aguda..."
"Levem para a UTI imediatamente! Preparar para a ressuscitação!!"
A sirene estridente soou.
Renata foi colocada na maca e levada às pressas para a ambulância, que partiu cantando pneu em direção ao hospital.
Daniel, com o corpo gelado, correu para dentro do veículo, segurando firme a mão fria e sem vida de Renata, repetindo baixinho, sem parar: "Eu errei, eu te deixo ir, basta você viver..."
A ambulância corria pela estrada, a sirene gritando.
O rosto de Renata estava pálido, sem vida, à beira da morte.
Daniel sentou-se ao lado dela, olhando para aquela linha reta no monitor, sentindo-se cair completamente no abismo.
Ele fez de tudo, usou os meios mais extremos e cruéis para mantê-la ao seu lado, apenas para que ela vivesse.
Mas agora, ele mesmo a havia empurrado para a morte com as próprias mãos.
A luz do hospital era branca e ofuscante.
A porta da Unidade de Terapia Intensiva se fechou lentamente.
Isolando a vida da morte, e isolando também todas as esperanças dele.
Ele só queria mantê-la por perto, só não queria que ela fosse para a África morrer, só queria usar o meio mais extremo para salvar a vida dela.
Mas, no final, ela quase morreu na casa onde ele achava que ela estaria mais segura.
"Diretor Daniel."
Finalmente, a porta da emergência se abriu, e o médico responsável saiu exausto, tirando a máscara, com o rosto ainda grave.
Daniel avançou quase instantaneamente, agarrando o braço do médico com uma força capaz de esmagar ossos: "Como ela está?"
"Temporariamente... fora de perigo", o médico respirou fundo. "Mas a situação não é nada otimista."
O coração de Daniel relaxou bruscamente, para logo em seguida se apertar de novo: "O que quer dizer?"
"Detectamos componentes tóxicos exógenos no sangue e no conteúdo estomacal da paciente."
O médico baixou a voz, em tom sério: "Não é um medicamento comum, é um composto com dupla toxicidade, neural e cardíaca, incolor e inodoro, difícil de detectar de imediato."
"Se tivesse chegado meia hora mais tarde, nem a lavagem estomacal a teria salvado."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...