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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1482

A luz do escritório ainda estava acesa, mas o que iluminava eram as preocupações de outra pessoa.

A porta do quarto de hóspedes estava trancada, prendendo o desejo de liberdade de alguém.

E ela, parada na noite fria, guardava uma casa vazia e um sentimento que estava por um fio, sem ousar sequer emitir um som ao chorar.

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Renata já estava sendo mantida naquele quarto de hóspedes há exatos três dias.

Sem algemas, sem correntes, mas havia gente vigiando dentro e fora da porta. O vidro da janela era de um modelo especial à prova de explosão, o celular fora confiscado há muito tempo, e não havia nem sequer um objeto pontiagudo para arranhar a pele.

Daniel usou a maneira mais "decente" e discreta para encurralá-la como um pássaro sem ver a luz do dia.

Desde o dia em que entrou, ela não comeu um bocado sequer, não bebeu um gole de água que pudesse saciá-la.

Não comer e não beber era a única resistência que ela podia oferecer agora.

As refeições trazidas pelas empregadas eram trocadas rodada após rodada, pratos requintados, mornos e saborosos, que ela nem olhava, deixando esfriarem na mesa.

Elas aconselhavam, imploravam, falavam com o coração na mão, e ela só dizia uma frase fria: "Levem daqui, eu não vou comer."

O que ela queria nunca foi um prato de comida.

Era sair dali.

Era ir para o exterior.

Gabriela veio duas vezes.

Na primeira, trouxe um mingau feito por ela mesma, sorrindo de forma gentil e inocente, com um tom tão suave que parecia derreter: "Irmã Renata, coma pelo menos um pouco, o que faremos se você ficar doente de fome? Daniel vai ficar preocupado."

Renata nem levantou as pálpebras: "Se eu morrer, não tem nada a ver com ele. Pare de fingir ser boazinha aqui."

Os olhos de Gabriela ficaram vermelhos imediatamente, a voz suave, magoada e inofensiva: "Eu só tive boa intenção... como você pode falar assim comigo... estou realmente com medo de que algo aconteça com você."

Aquela atitude fazia parecer que Renata a estava intimidando.

Renata sentiu nojo ao ver aquilo.

Ela conhecia bem demais esse tipo de mulher—

Superficialmente dócil e atenciosa, pensando em tudo por você, mas pelas costas provocava discórdia, fingia-se de coitada para ganhar simpatia e, ao virar as costas, chorava na frente de Daniel, empurrando toda a culpa para cima dela.

Uma verdadeira fingida, uma sonsa.

Na segunda vez que Gabriela veio, Renata simplesmente fechou os olhos e a ignorou completamente.

Renata não se mexeu, como se não tivesse ouvido.

"Renata." Ele aumentou um pouco o volume, o tom tornando-se mais grave. "Não quero repetir pela terceira vez."

Ela finalmente abriu a boca devagar, a voz seca e rouca, mas fria como gelo: "Não vou comer."

"Quer fazer greve de fome como protesto?" Daniel caminhou até a beira da cama, olhando-a de cima. "Inútil."

"Se é útil ou inútil, é problema meu." Renata continuou de costas para ele, cada palavra carregando espinhos. "Ou você me deixa ir, ou me vê morrer aqui."

Ela pensou que, com os mais de dez anos de afeto entre eles, com a obediência que ele costumava ter por ela, ele pelo menos entraria em pânico, sentiria dor, cederia.

Mas no segundo seguinte, as palavras de Daniel estilhaçaram completamente tudo o que ela conhecia.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, e o tom foi calmo a ponto de ser cruel:

"Se não comer, então fique aí."

Renata estremeceu, quase achando que tinha ouvido errado.

"Se desmaiar de fome, mando te darem soro com nutrientes na veia."

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