Sófia caminhava colada a Gregório, sentindo claramente a rigidez e a tensão no corpo dele, percebendo a aura opressiva que ele emanava.
Ela não ousava olhar para trás para verificar se aquelas pessoas os seguiam. Apenas segurava firme a mão da criança e acompanhava os passos de Gregório, avançando um passo de cada vez.
Saíram do restaurante e entraram no corredor do hotel. As luzes amarelas e quentes se estendiam à frente, e o local estava deserto; o silêncio era quebrado apenas pelo som de seus passos e pela chuva batendo nas janelas.
Só quando teve certeza de que haviam despistado temporariamente os olhares, Gregório acelerou o passo. Sua voz saiu baixa, urgente, porém clara: "Rápido, venha comigo, não olhe para trás."
O coração de Sófia disparou. Segurando a criança, ela apressou o passo para acompanhá-lo.
O elevador subiu, chegou ao andar, e, ao saírem, o corredor continuava silencioso, sem vivalma.
Gregório varreu rapidamente o corredor e as esquinas com o olhar, verificando as câmeras. Confirmando a segurança momentânea, caminhou rápido até a porta do quarto e passou o cartão magnético.
"Entrem."
Ele virou o corpo para deixar Sófia e as crianças entrarem primeiro. Entrou por último e fechou a porta com um "clack".
Imediatamente acionou a trava, depois passou a corrente de segurança, tudo num movimento contínuo e tão prático que doía ver.
Só depois de fazer tudo isso é que soltou um longo suspiro. A tensão em suas costas diminuiu um pouco; ele encostou-se na porta e levou a mão às têmporas latejantes.
Ainda não tinha trocado as roupas molhadas. A água da chuva escorria pelas pontas de seu cabelo, pingando no chão e formando uma pequena poça.
Seu rosto continuava pálido, os lábios secos pela chuva e pelo nervosismo, e os olhos, embora cansados, brilhavam com um alerta constante.
Sófia levou as crianças para o sofá e as cobriu com uma manta.
Virou-se e caminhou rápido até Gregório, com a voz trêmula de pânico mal contido: "Gregório, quem eram aqueles homens... afinal? São homens do Vicente?"
Gregório levantou os olhos para ela. Seu olhar era pesado, e a voz grave e firme, sem hesitação:
"Quase certeza que sim."
A confirmação fez o rosto de Sófia empalidecer ainda mais.
Ela encostou-se na parede, sentindo as forças se esvaírem: "Ele... ele está mesmo aqui perto? O que ele quer? Estamos sendo vigiados?"
Só de pensar naqueles olhares estranhos, naquela espionagem silenciosa, e no fato de sua família estar sob a vigilância de Vicente, Sófia não conseguia controlar o medo.
"Não tenha medo." Gregório estendeu a mão e segurou a mão gelada dela com força. "Eu estou aqui. Eles não vão entrar. Nada vai acontecer com vocês."
A palma da mão dele estava quente e forte, o que ajudou a acalmar um pouco o coração descompassado de Sófia.
"Percebi que algo estava errado assim que entramos no restaurante", Gregório sussurrou, analisando a situação rapidamente. "Aqueles não eram capangas comuns. Eram profissionais de vigilância. Movimentos discretos, olhares precisos. O alvo era claramente nossa família."
"Eles não agiram no restaurante por causa das câmeras e das testemunhas. Estão esperando relaxarmos para atacar no quarto ou em um lugar isolado."
"Vicente sabe muito bem que, com você e as crianças aqui, eu não posso arriscar um confronto direto. Ele quer usar isso para nos encurralar."
Ela olhou para Gregório.
Ele estava encharcado, pálido, com ferimentos ainda não curados, e sua depressão não deveria ser submetida a tal estresse.
Primeiro a crise na estrada, agora o perigo da vigilância. A pressão constante quase poderia derrubá-lo.
Mas, mesmo assim, ele se mantinha de pé diante dela e das crianças.
Usando o próprio corpo como a barreira mais sólida, bloqueando todo o perigo, toda a escuridão e todo o pânico do lado de fora.
Ele não colapsou, não recuou, não se deixou cegar pelo ódio. Manteve a frieza para analisar a situação e proteger a todos.
Sófia estendeu a mão e tocou levemente o rosto dele. "Gregório, não tente carregar tudo sozinho. Eu e as crianças estamos aqui. Vamos esperar juntos. Sem medo."
Gregório olhou para ela, e aquela rigidez que endurecia seu coração derreteu num instante.
Ele estendeu o braço e a puxou gentilmente para um abraço, tomando cuidado para não molhá-la com suas roupas úmidas.
Apoiou o queixo no topo da cabeça dela, e sua voz saiu grave e gentil, carregando um traço de cansaço, mas transmitindo uma segurança absoluta:
"Hm, sem medo."
"Enquanto eu estiver aqui, ninguém vai machucar vocês."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...