Ele abaixou a cabeça, ficando em silêncio por um momento: "Tudo bem, vamos juntos amanhã."
Ao ouvir a resposta dele, um sorriso instantaneamente iluminou o fundo dos olhos de Sófia.
Ela deu tapinhas leves nas costas da mão dele e disse com voz suave: "É assim que se faz. Seja bonzinho, durma bem. Quando acordar amanhã, tudo ficará bem."
Gregório assentiu e recostou-se na cabeceira da cama. Sófia o cobriu com o edredom, ajeitando as pontas com cuidado.
Sentada à beira da cama, ela observava o rosto adormecido e cansado dele, com o olhar transbordando de ternura e dor no coração.
Gregório fechou os olhos, sentindo a presença e o aroma de Sófia ao seu lado. A melancolia e a ansiedade no fundo de seu coração foram, aos poucos, substituídas por calor e segurança.
-
A manhã estava envolta em uma fina camada de neblina matinal.
Sófia acordou muito cedo. Movendo-se silenciosamente, arrumou as coisas e preparou um conjunto de roupas casuais cinza-claro, largas e confortáveis, para Gregório.
Até a garrafa de água dele e os registros médicos que Renata havia enfatizado para levar foram organizados um a um e colocados na bolsa.
Clara ainda dormia profundamente no andar de cima, com o rostinho enterrado no travesseiro macio e a respiração uniforme.
Sófia se inclinou para ajeitar o cobertor da filha, passando a ponta dos dedos levemente pelos cabelos macios da menina, com os olhos cheios de gentileza.
Hoje ela levaria Gregório para a consulta de retorno com Renata. Seu coração estava dividido entre a expectativa e a apreensão —
Esperava que a situação dele tivesse melhorado, mas temia ouvir más notícias, temia que a pressão e as emoções acumuladas ao longo do tempo já tivessem se tornado um fardo irreversível.
"Acordou?" Sófia se virou e viu Gregório parado à porta do quarto. Havia um traço de sonolência em seus olhos, mas isso não conseguia esconder a melancolia entre suas sobrancelhas.
Ele vestia as roupas que ela havia preparado. Sua postura era ereta, mas todo o seu ser exalava uma tensão indescritível; até mesmo o modo como ficava em pé carregava uma vigilância e um distanciamento habituais.
Do lado de fora, a vida pulsava animada e vibrante, mas toda aquela vivacidade parecia não ter nada a ver com ele.
Ele se sentia como um espectador externo, observando tudo à sua frente sem nenhuma ondulação interna, achando tudo até um pouco barulhento e exaustivo.
Ele já estava acostumado a essa sensação e pensava que esse era o estado que um adulto deveria ter —
Calmo, contido, impassível, reprimindo todas as emoções no fundo do coração, mantendo sempre a dignidade e a força.
Mas só ele sabia o quanto de repressão, ansiedade e fragilidade desconhecida se escondia sob essa tal "força".
O carro logo chegou à clínica psicológica particular de Renata, situada em uma área de mansões tranquila em meio ao agito de Cidade Valeora. O ambiente era sereno, cercado de verde, e o ar estava impregnado com um leve aroma de incenso calmante, que fazia as pessoas relaxarem inconscientemente.
A decoração da clínica era minimalista e acolhedora, com luzes amareladas, sofás macios e quadros terapêuticos nas paredes, tudo emanando um poder reconfortante.
Assim que os dois chegaram à porta, antes mesmo de empurrá-la para entrar, ouviram o som de uma discussão abafada vindo de dentro. As vozes não eram altas, mas carregavam uma evidente irritação e mágoa; logo perceberam que eram Renata e Daniel.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...