Gregório demorou bastante no banho. Quando finalmente desligou o chuveiro, secou-se, vestiu roupas limpas e saiu do banheiro.
Seus cabelos estavam úmidos, pingando água e grudados na testa, o que lhe conferia um aspecto ainda mais abatido.
Sófia estava sentada na beira da cama, segurando um secador de cabelo. Ao vê-lo sair, chamou-o imediatamente: "Vem cá, vou secar seu cabelo."
Gregório hesitou por um segundo, mas seus passos o levaram involuntariamente até ela, sentando-se na cadeira ao lado da cama.
Sófia ligou o secador na tomada, e o vento quente e suave começou a soprar.
Os dedos dela passavam levemente por entre os fios de cabelo dele, penteando com cuidado e delicadeza, com medo de machucá-lo.
O vento morno roçava seu couro cabeludo, trazendo junto o calor das pontas dos dedos de Sófia. Gregório recostou-se na cadeira e fechou os olhos. A ansiedade e a inquietação em seu coração foram se dissipando aos poucos, restando apenas uma rara tranquilidade.
Havia muito tempo que não tinham um momento assim. Sem as batalhas do mundo dos negócios, sem os esquemas intermináveis, apenas a companhia gentil de Sófia, apenas aquele instante de aconchego.
Ele se lembrou do passado, de quando tinham acabado de ficar juntos. Sempre que ele tomava banho, Sófia secava o cabelo dele daquele jeito, passando os dedos pelos fios, conversando, falando sobre a vida. Eram dias simples e afetuosos.
Depois, devido a vários mal-entendidos, eles foram se afastando, e aquele aconchego também desapareceu aos poucos.
Agora, sentindo aquele calor novamente, seu coração se encheu de uma mistura de amargura e gratidão. Amargura por terem perdido tantos anos, e gratidão por terem, no fim, voltado para o lado um do outro.
Os dedos de Sófia roçaram levemente os arranhões no pescoço dele, e seus movimentos ficaram ainda mais suaves. Ela perguntou baixinho: "Ainda dói aqui?"
"Não dói mais." Gregório respondeu de olhos fechados, com a voz carregada de uma fadiga sonolenta.
"Não quero que você se arrisque tanto nunca mais."
Ele pousou o copo e olhou para Sófia. Queria dizer algo, mas não sabia por onde começar.
Enquanto arrumava a caixa de remédios, Sófia comentou, como quem não quer nada: "Amanhã, vá comigo até o consultório da Renata."
O corpo de Gregório enrijeceu levemente. "Ir na Renata para quê? Meus machucados vão sarar com os remédios e a pomada, não preciso ir ao médico."
Ele sabia que Sófia não estava falando sobre tratar as feridas físicas, mas sim da sua depressão.
Ele vinha evitando enfrentar esse problema, não queria admitir que estava doente, mas também sabia que Sófia sempre estivera preocupada com ele.
Sófia ergueu os olhos para ele, sem deixar margem para negociação: "Eu sei o que você está pensando, Gregório. Não estou te forçando, mas a Renata é uma médica profissional. Deixe ela te examinar, receitar algo para equilibrar as coisas. Vai te fazer bem."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...