O homem evitou cuidadosamente tocar em seus próprios ferimentos enquanto a aninhava em seus braços. Roçou a ponta do nariz nos cabelos macios da menina, e sua voz, embora rouca, estava cheia de carinho: "O papai também sentiu saudades da Clara. Nossa Clara cresceu mais um pouco."
Ele apertou levemente os braços, segurando a filha com um pouco mais de força, como se quisesse fundir toda a saudade daqueles dias naquele abraço.
Clara abraçou o pescoço dele, deu um beijo em seu rosto e, com o dedinho, tocou levemente o hematoma no canto da boca dele, franzindo as sobrancelhas.
"Papai, o que aconteceu com o seu rosto? Tá machucado? Dói?"
Gregório hesitou por um instante, virou o rosto instintivamente e levantou a mão para cobrir o canto da boca, sorrindo para consolá-la: "Não dói. O papai bateu sem querer, é só um machucadinho. Daqui a uns dias sara."
Sófia estava parada na porta, observando pai e filha abraçados, e sentiu os olhos marejarem.
Ela caminhou suavemente até eles, pegou a mala da mão de Gregório e disse com voz terna: "Que bom que você voltou. Vamos entrar, o café da manhã está pronto e ainda está quente."
Gregório levantou os olhos para ela, e seus olhares se encontraram.
Aquela viagem a Cidade Floresta não só falhara em capturar Vicente, como também o trouxera de volta ferido, deixando-a preocupada por tanto tempo. No fim das contas, ele sentia que a havia decepcionado.
Ele abriu a boca, querendo dizer algo, mas tudo o que saiu foi uma frase: "Fiz você se preocupar."
"Deixe de bobagem."
Sófia balançou a cabeça, pegou o sobretudo dele e o pendurou no cabideiro do hall de entrada. "Vamos entrar logo, não deixe a criança pegar vento."
Depois de entrarem, Clara grudou em Gregório, sem sair de perto dele nem por um segundo.
Durante a refeição, Sófia não parava de servir Gregório, enchendo o prato dele até o topo, dizendo baixinho: "Coma bastante. Você deve ter comido mal lá fora esses dias, precisa repor as energias."
Gregório assentiu e baixou a cabeça para comer, mas seu apetite não era o mesmo de sempre. Comeu apenas algumas garfadas e pousou o garfo.
"O que aconteceu de verdade em Cidade Floresta? Como o Vicente conseguiu sumir de repente?"
Ao mencionar Vicente, os olhos de Gregório foram instantaneamente cobertos por uma sombra, e a aura ao seu redor esfriou.
Ele se recostou no sofá, massageou as têmporas doloridas e contou a Sófia tudo o que havia acontecido em Cidade Floresta, tintim por tintim.
Desde a descoberta do esconderijo de Vicente, passando pelo período em que ficou ferido e precisou descansar, até o descuido de Armando e Manuel, o desaparecimento repentino de Vicente, a falta de cooperação da polícia local e a decisão final de voltar sem sucesso.
Sua voz era calma, como se estivesse narrando a história de outra pessoa, mas Sófia conseguia ouvir a frustração e a ansiedade em suas palavras.
Ela sabia que aquela viagem a Cidade Floresta tinha sido um golpe duro para ele.
Ele fora cheio de esperança, achando que levaria Vicente à justiça, mas não imaginava que o resultado seria aquele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...