"O Vicente não pode fugir para sempre. Um dia, nós o encontraremos."
Os dois assentiram, e um brilho de determinação passou por seus olhos.
O carro seguia pelas ruas de Cidade Floresta. A paisagem passava pela janela, ficando para trás. Aquela cidade, cheia de um charme tropical, mas que escondia inúmeras correntes obscuras, acabou não segurando Vicente e, no fim, não permitiu que eles alcançassem seu objetivo.
Mas no fundo do coração de Gregório, não havia o menor sinal de desistência. Ele sabia que aquilo não era o fim, mas apenas um novo começo.
Vicente era como uma raposa astuta escondida nas profundezas da floresta, mas eventualmente mostraria o rabo; chegaria o dia em que seria pego pelo caçador.
E ele seria o caçador mais paciente, aguardando em seu posto, esperando o momento perfeito para desferir o golpe fatal em Vicente.
No aeroporto, em meio ao vai e vem de pessoas, Gregório e a equipe do Oficial Lima passaram pela segurança e embarcaram no voo de volta.
O avião taxiou lentamente, rasgou os céus e atravessou as densas camadas de nuvens, voando em direção a Cidade Valeora.
Cruzando as nuvens, o avião seguia rumo ao lar.
Gregório encostou-se na poltrona e fechou os olhos. Em sua mente, surgiu o sorriso gentil de Sófia e a imagem adorável de Clara, fazendo com que o canto de sua boca se curvasse involuntariamente em um sorriso terno.
Não importava quantas tempestades houvesse no caminho, não importava se Vicente se escondesse no fim do mundo, ele voltaria em segurança para o lado de Sófia e Clara, para cumprir aquela promessa de renovação dos votos que estava atrasada há tanto tempo.
E aquela lebre astuta não escaparia da caçada para sempre. Como diz o ditado, a lebre astuta tem três tocas, mas uma delas acabará se tornando seu túmulo.
Na casa em Cidade Valeora, Sófia estava com Clara, arrumando o quarto de Gregório, colocando a roupa de cama dele para arejar e preparando a comida que ele adorava.
Sófia olhou para fora e viu o Bentley preto entrando lentamente no pátio e parando com firmeza na entrada. A porta do motorista se abriu, Armando desceu primeiro e deu a volta para abrir a porta traseira.
Gregório desceu do carro. Vestia um sobretudo preto simples, com a gola levemente aberta. Seu cabelo estava um pouco bagunçado e uma sombra de barba despontava em seu queixo.
Seus olhos, que costumavam ser afiados e penetrantes, agora estavam cobertos por uma camada de exaustão. Suas costas pareciam levemente mais curvadas do que o habitual, e ele exalava um ar de cansaço indisfarçável.
Assim que ele se firmou no chão, Clara empurrou a porta e se lançou como uma pequena bala de canhão em sua direção.
Ela abraçou a perna dele, ergueu a cabecinha e disse com uma voz doce e cheia de alegria: "Papai! A Clara sentiu tanto a sua falta!"
A melancolia no fundo dos olhos de Gregório se dissipou instantaneamente, dando lugar a um sorriso gentil. Ele se abaixou para pegar a filha no colo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...