Gregório não disse nada, apenas encarou fixamente o tampo vazio da mesa de centro, com os nós dos dedos brancos de tanto apertar, as unhas cravadas profundamente nas palmas, insensível até mesmo à dor.
A ansiedade no fundo de seu coração se alastrava como fogo em mata seca, queimando suas entranhas.
Ele o perseguiu até a Cidade Floresta, enfrentou perigos e dificuldades, e com muito custo descobriu o esconderijo de Vicente. Quando parecia que haveria progresso, Vicente desapareceu novamente.
Aquele homem era exatamente como diziam os rumores: astuto como uma raposa, com uma mente meticulosa ao extremo.
Na Cidade Valeora, ele havia deixado várias armadilhas e escapou diversas vezes.
Ao chegar à Cidade Floresta, seu antigo reduto, ele ainda mantinha rotas de fuga.
Conseguiu evacuar silenciosamente bem debaixo do nariz de Gregório, sem deixar uma única pista.
Gregório respirou fundo, tentando reprimir a raiva e a inquietação que fervilhavam dentro dele.
Mas o aperto no peito só aumentava, fazendo com que suas feridas começassem a latejar.
Ele fechou os olhos por um momento e, ao reabri-los, a fúria em seu olhar havia diminuído ligeiramente, restando apenas um silêncio frio e mortal.
Ele sabia que aquele não era o momento de apontar culpados. Punir Armando e Manuel não traria Vicente de volta e apenas desperdiçaria tempo.
Ele acenou com a mão: "Já aconteceu, responsabilizar vocês agora não adianta nada."
"Organizem imediatamente o pessoal, façam uma varredura completa na Cidade Floresta. Verifiquem todos os lugares onde Vicente possa estar escondido: ilhas particulares, cassinos clandestinos e todos os antigos contatos dele na cidade. Verifiquem um por um. Mesmo que tenham que revirar a cidade do avesso, encontrem o rastro dele."
"Sim, Diretor Pacheco."
Os dois, sentindo-se perdoados, responderam prontamente e se viraram para organizar a busca.
"Esperem."
Aquele homem era como um espinho em seu coração; se não fosse arrancado, ele nunca teria paz.
Gregório voltou para o quarto e se trancou, sem vontade de ver ninguém.
Ele havia prometido a Sófia que voltaria em segurança e que levaria Vicente à justiça, mas agora, com Vicente desaparecido novamente e sem nem mesmo a sombra dele para capturar, como poderia cumprir a promessa?
Ele tinha medo de ver o olhar preocupado de Sófia, medo de ouvir sua voz decepcionada, e mais medo ainda de decepcioná-la.
O quarto estava silencioso, exceto pelo som da chuva lá fora e sua respiração pesada.
Ele permaneceu encostado na cabeceira da cama, olhando para a foto de Sófia, imóvel por um longo tempo.
Não se sabe quanto tempo passou até que ouviu uma batida na porta da sala e a voz de Armando: "Diretor Pacheco, o Oficial Lima chegou. Ele já está no térreo do prédio."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...