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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1420

A luz no posto de controle era fraca e amarelada, alguns policiais de fronteira montavam guarda ao lado da barreira, usando a iluminação para inspecionar as embarcações que passavam.

O velho pescador já estava preparado. Entregou os documentos falsos que haviam sido providenciados com antecedência, dizendo: "Oficial, são apenas peixes que eu mesmo pesquei, estou levando para o outro lado da fronteira para trocar por algumas coisas. Desculpe o trabalho."

O policial pegou os documentos, examinou-os cuidadosamente e passou os olhos pelo convés do barco. Vendo que havia apenas alguns cestos de peixes frescos, acenou com a mão, sinalizando a liberação.

O velho pescador soltou um suspiro de alívio e apressou-se a empurrar a vara de bambu, remando o barco para fora do posto de controle e seguindo em direção à fronteira.

Só quando o barco navegou por vários quilômetros é que Vicente se sentou lentamente no fundo do barco. Ele empurrou o velho pescador para o lado, tomou a vara de bambu e, com um empurrão forte, direcionou o barco para um banco de areia à beira do rio.

"Suma daqui. Não me deixe ver você de novo."

Sua voz era gélida.

O velho pescador sentiu-se como se tivesse recebido um indulto, saltou do barco tropeçando e correu para dentro do juncal sem olhar para trás, com medo de que Vicente mudasse de ideia e tirasse sua vida.

Vicente observou a silhueta do velho pescador desaparecer, um traço de desdém cruzou seus olhos. Em seguida, curvou-se e tirou uma mochila de um compartimento secreto no barco.

Dentro havia passaporte, dinheiro vivo, uma pistola e alguns biscoitos secos.

Ele colocou a mochila nas costas, saltou do pequeno barco e, pisando na lama da margem do rio, caminhou em direção à selva não muito distante.

Aquela selva estendia-se por ambos os lados da linha de fronteira, densa e cheia de espinhos. Era um lugar notoriamente perigoso e também o ponto mais fácil para o contrabando ao longo da fronteira.

Quando Vicente operava suas forças em Cidade Valeora, ele usara essa selva muitas vezes para ir e vir da fronteira, conhecendo o terreno como a palma da sua mão. Ele sabia que a selva não tinha apenas feras selvagens.

Havia também sentinelas ocultas da patrulha de fronteira, mas ele sabia ainda melhor que, nas profundezas daquela mata, havia um recurso que ele deixara preparado anos atrás —

Alguns velhos subordinados leais a ele já aguardavam na selva do lado de fora da fronteira, com veículos e rotas preparadas para sua fuga para o exterior.

Ele respirou fundo e, quando se preparava para continuar, ouviu de repente passos apressados vindo de trás, acompanhados pelo latido de cães policiais.

"Vicente, parado! Não se mexa!"

Um grito alto quebrou o silêncio da selva.

Um brilho cruel passou pelos olhos de Vicente.

Ele não olhou para trás, em vez disso, virou-se e correu loucamente em direção ao marco da fronteira, rápido como uma rajada de vento.

Os policiais e os cães atrás dele perseguiam incansavelmente, com gritos de ordem ecoando uns após os outros.

Balas zuniram perto de seus ouvidos, atingindo os troncos das árvores ao lado e fazendo voar lascas de madeira.

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