Sófia continuou agindo como de costume, levando Clara para a escola.
Ela cuidou de algumas tarefas diárias da NexGen com uma expressão natural, sem demonstrar qualquer anormalidade.
Só ela sabia que a corda em seu coração estava esticada ao limite.
Não que não sentisse medo, mas pela filha, por Gregório e pela paz futura, ela precisava ser corajosa.
À tarde, ao buscar Clara na escola e levá-la para casa, vendo o sorriso doce da filha e ouvindo-a chamar "mamãe" com aquela voz infantil,
o coração de Sófia derreteu-se instantaneamente. Ela abaixou a cabeça, beijou a testa da filha e sua determinação se fortaleceu ainda mais.
Ela faria aquelas pessoas pagarem, para que sua filha pudesse viver sempre sob a luz do sol, livre de qualquer ameaça.
Ao entardecer.
Gregório mandou a babá levar Clara para a casa de veraneio nos arredores da cidade para se afastarem temporariamente, instruindo-a repetidamente a cuidar bem da criança e não permitir contato com ninguém.
Só depois de arranjar tudo ele voltou para casa e viu Sófia. Ela havia trocado de roupa, vestindo um conjunto esportivo preto e simples, com o cabelo preso num rabo de cavalo alto, revelando a testa lisa e um ar de bravura e agilidade.
"Tudo pronto?" Sófia ergueu os olhos para ele, ajeitando a gola da roupa.
"Sim, os seguranças já estão posicionados, escondidos em todos os cantos da fábrica. A polícia também está monitorando o perímetro. Se eles ousarem aparecer, não terão para onde fugir."
Gregório caminhou até ela e ajeitou os fios de cabelo soltos perto da orelha dela. "Está com o rastreador e o micro comunicador?"
"Lembre-se, ao menor sinal de problema, contate-me imediatamente. Não tente lutar, eu entrarei no mesmo instante."
"Fique tranquilo, está tudo comigo."
disse Sófia. "Vou me proteger até você chegar com o pessoal para fechar o cerco."
Gregório assentiu, inclinou-se e beijou levemente a testa dela; um beijo carregado de preocupação.
A ventania era forte na periferia à noite.
A fábrica abandonada estava diante dela, uma área enorme com galpões decrépitos que pareciam prestes a desabar.
Sófia respirou fundo, reprimindo o leve nervosismo, e caminhou em direção à fábrica com passos firmes, sem qualquer hesitação.
O micro comunicador estava escondido na gola e o rastreador preso na cintura; cada passo seu estava sob a vigilância de Gregório.
Ao chegar a uma área aberta no centro da fábrica, Sófia parou, olhou ao redor e disse em voz alta e grave: "Eu cheguei. Apareçam."
Sua voz ecoou pelo galpão vazio, trazendo um leve eco, mas não houve resposta imediata.
O silêncio ao redor era assustador, quebrado apenas pelo uivo do vento passando pelas estruturas velhas e pelo som do seu próprio coração, batendo claro e forte.
Sófia não entrou em pânico. Continuou parada no mesmo lugar, varrendo o ambiente com um olhar alerta, os dedos tocando discretamente o micro comunicador no bolso, pronta para contatar Gregório a qualquer momento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...