Dito isso.
Guilherme e a Sra. Alves saíram do quarto furiosos, levando Lioran com eles.
A porta do quarto foi batida com força, produzindo um estrondo.
O ar no quarto finalmente voltou à calma.
Geovana recostou-se na cabeceira, as costas apoiadas em travesseiros macios.
Ela virou o rosto para olhar a janela.
"Você também, pode ir embora."
Lucas estava parado ao lado da cama, o olhar pousado no rosto pálido dela.
Ele levantou a mão, querendo arrumar os fios de cabelo desordenados na testa dela, mas os dedos pararam no ar e acabaram descendo suavemente.
Ele ajeitou a coberta para ela.
"Tudo bem, não pense muito, descanse bem."
A voz dele estava muito baixa. "O médico disse que foi excesso de cansaço somado à hipoglicemia, nada grave, só precisa de repouso."
Ele terminou de falar e saiu, sem se demorar.
Geovana respirou fundo e fechou os olhos.
Na manhã seguinte.
Lucas entrou bem cedo.
O olhar de Geovana pousou nele.
Ele vestia um terno impecável, mas não conseguia esconder o cansaço; os vasos sanguíneos em seus olhos estavam mais vermelhos que os dela, indicando que não havia voltado para casa na noite anterior.
Ela olhou para ele, o coração numa mistura de sentimentos, querendo dizer algo, mas sem saber por onde começar. No fim, falou apenas com indiferença, um tom carregado de distanciamento: "Você... não precisava vir."
Seus passos eram extremamente lentos; a cada passo, ele não resistia e olhava para trás, esperando que ela se virasse para ele, nem que fosse para uma repreensão, o que seria melhor do que aquele distanciamento gélido.
Mas até ele chegar à porta e segurar a maçaneta, ela não olhou para trás.
A mão de Lucas parou na maçaneta.
Ele olhou para ela uma última vez, gravando sua imagem no fundo do coração, antes de girar levemente a maçaneta, abrir a porta e fechá-la com cuidado.
Ele temia fazer qualquer barulho que perturbasse o descanso dela.
No momento em que a porta se fechou, Geovana virou a cabeça lentamente, olhando para a porta fechada; a barreira em seus olhos desmoronou instantaneamente, restando apenas um cansaço infinito e desorientação.
Ela levantou a mão, cobrindo o peito, que continuava abafado, como se algo estivesse bloqueando tudo, tornando até a respiração difícil.
Ela pensou que ele tinha ido embora, como nas inúmeras vezes anteriores; assim que ela se distanciava, ele virava as costas e partia, sem nunca se demorar.
Ela pensava que a preocupação dele, a gentileza dele, não passavam de culpa, de responsabilidade, e não de sentimentos verdadeiros.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...