Gregório Pacheco terminou de lidar com os documentos em mãos, levantou a cabeça e a viu naquele estado distraído.
Ele largou a caneta, levantou-se e caminhou até ela, curvando-se e estendendo a mão para acariciar suavemente a cabeça dela. "No que está pensando? Desde de manhã até agora, você não comeu nada."
Sófia voltou a si, olhou para ele, com preocupação no fundo dos olhos: "Estou pensando na Geovana."
"Ela e Lucas foram ao cartório hoje, assinaram o acordo de divórcio, e ainda tem o período de trinta dias de reflexão."
Os movimentos de Gregório pararam, e logo ele se sentou ao lado dela, estendendo a mão para trazê-la para seus braços, o queixo apoiado no topo da cabeça dela, a voz grave e calma.
"Talvez isso não seja algo ruim."
Sófia ficou atônita, levantou a cabeça para olhar para ele, com dúvida no olhar.
"Esse casamento deles, desde o início, foi falso, carregado de muitos cálculos e impotência."
O olhar de Gregório era profundo, como se pudesse ver através do coração humano. "O momento estava errado, o ponto de partida estava errado; mesmo que ficassem juntos à força, só iriam torturar um ao outro."
"Agora, sendo assim, para eles, é, pelo contrário, uma coisa boa."
Ele fez uma pausa e acrescentou: "Só com o divórcio é possível recomeçar. Alguns sentimentos, só se livrando dessas amarras, é que podem ser vistos com mais clareza."
Sófia olhou para ele fixamente, e o nó em seu coração pareceu se desfazer um pouco.
Ela se encostou no peito dele, o nariz envolvido pelo leve cheiro de cedro dele, sentindo-se muito mais segura.
Ela ficou em silêncio por um momento e de repente falou, com um tom de emoção: "O nosso momento de casamento também foi errado."
Naquela época, o casamento dela e de Gregório também foi uma transação onde cada um pegou o que precisava.
Ela, para se livrar do emaranhado da família; ele, também para estabilizar a situação da empresa da família. Os dois concordaram imediatamente e se casaram num piscar de olhos.
O corpo de Gregório enrijeceu repentinamente. Ele baixou a cabeça, olhando para a pessoa em seus braços.
Ele apertou os braços, abraçando-a com mais força: "É diferente."
A voz de Sófia ficou séria. "Com Vicente Oliveira preso, a Avanço virou uma casca vazia. Agora, tudo relacionado à Avanço está sendo investigado repetidamente, ninguém ousa se envolver."
Gregório assentiu, um brilho frio passando por seus olhos: "Teve o que mereceu."
Ella e Vicente, para obter lucros, não mediram esforços, nem se importaram em ferir Geovana; já deviam ter tido esse fim há muito tempo.
Nesse momento, bateram levemente na porta do escritório.
"Entre." Gregório disse com voz grave.
O assistente empurrou a porta e entrou, segurando um documento na mão, com uma expressão de hesitação no rosto: "Diretor Pacheco, tem uma senhora chamada Ella lá embaixo, dizendo que tem uma cooperação para discutir com o senhor."
As sobrancelhas de Sófia se franziram instantaneamente; realmente uma alma penada que não se dispersa.
"Cooperação?" O tom de Gregório carregava escárnio. "Ela, uma pessoa de uma empresa de fachada, que qualificação tem para falar de cooperação comigo?"
O assistente pareceu constrangido: "Ela disse... ela disse que tem algo muito importante que pode ajudar o senhor."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...