Ela olhou atordoada para Lucas, como se o conhecesse pela primeira vez.
Ela tinha ido até lá para defendê-lo, para dizer aos pais dele que a ideia do casamento falso fora dela, que ela o havia forçado a aceitar.
Ela tinha até se preparado para ajoelhar ao lado dele e suportar a fúria dos pais juntos.
Mas ele, na frente dos pais, disse aquelas palavras.
Ele já tinha assinado o acordo de divórcio.
Então, ele já estava preparado.
Então, aquela frase dela sobre "ir ao cartório quando tiver um tempo", ele levou a sério.
Então, ele estava tão ansioso para cortar relações com ela.
Os lábios de Geovana se moveram, tentando dizer algo, mas sua garganta parecia bloqueada.
Ela olhou para o rosto indiferente de Lucas e sentiu uma mistura amarga de sentimentos subindo pelo peito.
É verdade, foi ela quem pediu o divórcio.
Foi ela quem achou que estava atrapalhando a vida dele, que não era boa o suficiente para ele, que só o divórcio o livraria desse problema que era ela.
Agora que ele concordou e assinou os papéis, o que mais ela podia dizer?
Os ombros de Geovana caíram levemente.
O brilho em seus olhos se apagou, como uma vela que chega ao fim.
Ela finalmente entendeu. Lucas disse aquilo para que ela não se envolvesse mais.
Estava dizendo a ela que o assunto entre eles acabava ali.
Estava dizendo que ela não tinha o direito de interferir nos assuntos da Família Dutra.
A sala caiu em um silêncio mortal novamente.
O Sr. e a Sra. Dutra observaram a cena com expressões de satisfação.
A Sra. Dutra bufou friamente, com um tom de escárnio: "Ouviu, Srta. Alves? O Lucas já assinou. Pare de se humilhar aqui."
"Assine logo, pegue o que lhe cabe e deixe o Lucas em paz."
Geovana ignorou as palavras da Sra. Dutra.
Ela apenas olhou fixamente para Lucas, a luz em seus olhos desaparecendo até restar apenas um vazio desolador.
Seus dedos tremiam levemente enquanto apertava a alça da bolsa, os nós dos dedos brancos pela força.
Passou-se muito tempo até que ela baixasse a cabeça lentamente, com a voz leve como o vento, carregada de uma profunda autoironia: "Tudo bem."
A Sra. Dutra também suspirou, com a voz cheia de decepção: "Você não escolheu uma moça de boa família, preferiu armar esse casamento falso com aquela Geovana. Agora pronto, todo o nosso círculo social vai rir da Família Dutra."
Lucas continuava ajoelhado, com as costas retas, os olhos baixos escondendo o turbilhão de emoções, e as pontas dos dedos brancas de tanto apertar.
Ele não respondeu.
Vendo-o naquele estado, a Sra. Dutra acabou suavizando o tom, mas mudou de assunto radicalmente: "A filha da Família Nunes, Fabiana Nunes, você conhece. Ela é culta, de boa família, feita para você."
Ela fez uma pausa, com um tom firme que não aceitava recusa: "Hoje às sete, reservamos uma mesa no restaurante Nuvem de Seda. Você tem que ir conhecê-la."
Os cílios de Lucas tremeram levemente, seu pomo de adão subiu e desceu, e sua voz saiu rouca: "Vou deixar para depois."
Ao ouvir isso, o rosto do Sr. Dutra fechou na hora, e ele bateu a bengala no chão novamente: "O que você disse?!"
A Sra. Dutra também franziu a testa, irritada: "Lucas, não seja ingrato! Já confirmamos com a Família Nunes. Se você não for, como vamos explicar?"
Lucas levantou a cabeça devagar, com o olhar exausto: "Não tenho cabeça para isso agora."
"Adiem isso."
O Sr. Dutra estava tão bravo que o peito subia e descia, apontando para ele sem conseguir falar.
A Sra. Dutra suspirou. No fim, não teve coragem de pressioná-lo mais e suavizou a voz: "Então diga, quando você vai? Não pode ficar adiando para sempre."
Lucas baixou os olhos, com a voz leve como o vento: "Quando eu terminar de resolver os assuntos pendentes."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...