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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1349

Quando Geovana se afastou dos braços de Lucas, seus olhos ainda estavam vermelhos, e os cílios carregavam gotas de lágrimas que não haviam secado. Ela levou a mão ao rosto para enxugá-las de qualquer jeito, deixando as pontas dos dedos úmidas.

Ela baixou a cabeça, sem coragem de encarar os olhos de Lucas. Sua voz carregava a rouquidão de quem acabara de chorar, misturada a uma culpa difícil de esconder: "Desculpe."

As três palavras soaram leves como o vento, mas pesaram profundamente no coração de Lucas.

Ele olhou para os ombros dela que tremiam levemente, para as pontas dos dedos que ficaram brancas de tanto apertar, e a melancolia que sentira por ter sido interrompido foi instantaneamente substituída por uma dor no peito.

Ele levantou a mão, querendo arrumar o cabelo dela que o vento havia bagunçado, mas seus dedos pararam no ar, hesitando.

Ele mudou o gesto e colocou as mãos nos bolsos, com a voz suave como a brisa da primavera: "Por que está pedindo desculpas? A culpa não é sua."

Geovana fungou e finalmente levantou a cabeça. Seus olhos ainda estavam marejados, e o olhar transbordava arrependimento: "Meus pais... eles são assim mesmo, só pensam em dinheiro."

"No futuro, com certeza vão te dar trabalho. É capaz até de irem à empresa para te cercar."

Ela fez uma pausa, e o tom de voz ganhou um toque de autodepreciação: "E também... meus pais sabem que nosso casamento é falso. Não duvido nada que saiam espalhando isso por aí."

"Se isso chegar aos ouvidos dos seus pais, eles certamente ficarão furiosos. Eles prezam tanto pelo status social e pela linhagem. Se souberem a verdade, capaz de te apresentarem imediatamente alguém novo e te obrigarem a ir a encontros arranjados."

Geovana não ousava pensar nessa cena.

Ela não ousava imaginar Lucas com outra garota ao seu lado, uma moça de boa família, gentil e elegante, formando com ele um casal perfeito.

Só de pensar nisso, seu coração parecia ser esmagado por uma mão invisível, doendo a ponto de lhe faltar o ar.

Lucas observou o pânico no fundo dos olhos dela, viu como ela tentava fingir calma, e sentiu uma pontada amarga no peito.

Ele sabia que Geovana, desde pequena, engolia muitos sapos por causa dos pais.

Ela parecia viver de forma desapegada, mas no fundo escondia muitas mágoas e inseguranças.

Ele ficou em silêncio por um momento, e então os cantos de sua boca se curvaram em um sorriso discreto: "Não tem problema."

Vendo o olhar atônito de Geovana, ele continuou: "Se eles quiserem causar problemas, deixe que venham."

"Eu, Lucas, não tenho medo dessas coisas. Quanto aos meus pais..."

Ele fez uma pausa: "Agora eu tenho o poder em minhas mãos. Na empresa, sou eu quem manda."

"E os assuntos de casa também não são algo que eles possam manipular como bem entenderem."

Nesses anos todos, Lucas batalhou no mundo dos negócios e já não era mais aquele garoto inexperiente que precisava obedecer a tudo o que os pais diziam.

Com sua própria capacidade, ele conquistou poder real, passo a passo. Mesmo que os pais da Família Dutra quisessem interferir, teriam que pensar duas vezes.

Geovana olhou para a confiança e a serenidade no fundo dos olhos dele, mas sua culpa não diminuiu nem um pouco.

Ela sabia que, quanto mais Lucas falava aquilo, mais ela se sentia mal.

Esse casamento falso, do começo ao fim, foi ela quem o arrastou para isso.

Ela respirou fundo.

Só pôde baixar a cabeça, olhando para a ponta dos pés, e seus olhos avermelharam novamente.

Lucas viu o estado dela e sentiu o coração doer.

Ele queria dizer algo para consolá-la, mas não sabia o que dizer.

Entre os dois, pairava um silêncio difícil e um leve amargor.

Por fim, foi Lucas quem quebrou o silêncio.

Ele abriu a porta do carro, fez um gesto convidando-a a entrar e sua voz voltou à gentileza habitual: "Entre, eu te levo para casa."

Geovana assentiu, sem dizer nada, e entrou no carro.

Ela encostou a cabeça na janela, observando a paisagem urbana retroceder rapidamente, com a mente num turbilhão.

Lucas ligou o carro. O interior do veículo estava silencioso, ouvia-se apenas o som suave do motor.

Nenhum dos dois falava, e a atmosfera era sufocante.

O carro entrou devagar no condomínio onde Geovana morava e parou embaixo do prédio.

Geovana soltou o cinto de segurança, virou-se para Lucas e disse com a voz rouca: "Obrigada por me trazer."

Lucas assentiu, olhando para ela: "Pode subir. Descanse cedo."

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