Os olhos de Sófia marejaram.
Ela estendeu a mão e o abraçou com força: "Gregório Pacheco, você é idiota? Como pôde beber tanto com a saúde desse jeito?"
Gregório ficou atordoado.
Ele estendeu a mão e, desajeitadamente, enxugou as lágrimas dela, a voz carregada de desculpas: "Desculpe... não foi minha intenção... os clientes estavam muito animados..."
Sófia olhou para o rosto pálido dele, para o cansaço profundo em seus olhos.
Ela sabia que era pelo trabalho, pelo Grupo Pacheco, por ela e por Clara.
Mas como ele podia descuidar tanto do próprio corpo?
"Gregório," Sófia levantou a cabeça, olhando nos olhos dele, a voz embargada, "Você tem noção de que o seu corpo..."
Antes que pudesse terminar a frase, o corpo de Gregório oscilou, a cabeça pendeu para o lado e ele encostou no ombro dela, caindo num sono profundo.
O corpo de Sófia congelou.
Ela baixou a cabeça, olhando para o rosto adormecido dele, sentindo o peito cada vez mais apertado.
-
O inverno chegou e o tempo ficava cada vez mais frio.
Pouco depois das cinco da tarde, o céu já estava escuro.
Sófia segurava o volante, observando os flocos de neve que caíam cada vez maiores lá fora.
Hoje era o dia das provas finais de Clara e Enzo, e também o último dia do semestre letivo.
Quando saiu de casa pela manhã, o céu estava apenas nublado, mas não imaginava que nevaria ao entardecer.
Dizem que neve traz boa sorte para o ano que vem, pensou Sófia. Com esse bom presságio, as provas das crianças também deviam ter corrido bem.
Ela pensou em pegar o celular para mandar uma mensagem a Gregório, avisando sobre a neve e pedindo cuidado na estrada, mas seus dedos pararam sobre a tela e ela recolheu a mão.
Nos últimos dias, desde que Gregório chegou bêbado em casa, ela guardava uma mágoa no peito, misturada com preocupação, sem saber como abordar o assunto dos exames médicos dele.
O carro entrou lentamente no portão do Colégio Experimental, que já estava lotado de pais buscando os filhos.
Sófia encontrou uma vaga, estacionou e, ao abrir a porta, uma rajada de vento gelado entrou, fazendo-a encolher o pescoço de frio.
Ela ajustou seu casaco de lã e caminhou apressada em direção ao prédio principal.
Na saída, as crianças formavam filas para ir embora.
Sófia varreu a multidão com os olhos e logo avistou duas figuras familiares.
Clara vestia uma jaqueta vermelha, parecendo um pequeno sol, saltitando na frente e tagarelando sem parar.
Atrás dela, Enzo caminhava de cabeça baixa, arrastando os pés, com uma aparência desanimada.
Enzo levantou a cabeça, vendo o olhar preocupado de Sófia e Clara, e a tristeza represada transbordou.
Ele fungou e sussurrou: "Mamãe, eu... eu não consegui fazer várias questões."
"Com certeza fui muito mal."
"Não tem problema!"
Clara deu um tapinha no ombro dele, consolando-o como uma pequena adulta: "Todo mundo tem dias ruins. Olha eu, no último teste de matemática errei uma questão."
"Depois estudei direitinho e dessa vez tenho certeza que fechei a prova."
Vendo a confiança de Clara, Enzo não conteve um sorriso tímido, e seu desânimo diminuiu um pouco.
Sófia segurou a mão das duas crianças e caminhou em direção ao estacionamento.
A neve caía cada vez mais forte, pousando suavemente nos cabelos e ombros deles, formando rapidamente uma fina camada branca.
Clara estendia a mão empolgada para pegar os flocos, gritando: "Está nevando! Está nevando! Vamos poder fazer um boneco de neve!"
Ao chegarem perto do carro, um Bentley preto familiar estacionou suavemente ao lado.
A porta se abriu e Gregório desceu, vestindo um sobretudo preto que realçava sua postura elegante, segurando um guarda-chuva preto.
Seu olhar pousou em Sófia e ele caminhou rapidamente até ela, abrindo o guarda-chuva sobre a cabeça dela, protegendo-a da neve que dançava no ar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...