Ele ficou em silêncio por um momento, depois ergueu a cabeça, com um leve sorriso no rosto: "Entendido, obrigado, doutor."
Ele saiu do consultório do médico e parou junto à janela do corredor, observando a noite lá fora.
A tela do celular se acendeu. Era uma mensagem de Ademir, dizendo que não havia nenhuma movimentação estranha por parte de Ella.
Os dedos de Gregório deslizaram suavemente pela tela, parando finalmente no nome de Sófia.
Ele queria ligar para ela, ouvir sua voz. Mas,
no final, guardou o celular.
Ele não queria preocupá-la.
-
No dia seguinte.
Sófia recebeu um telefonema de sua mãe.
Ela foi resolver as questões do divórcio deles.
Sófia parou em frente a um velho prédio residencial, olhando para a janela manchada, sem qualquer emoção nos olhos.
Esta casa, comprada com as economias de uma vida inteira de sua mãe, guardava as poucas lembranças calorosas de sua infância.
Mas desde que eles se desentenderam,
Regis a ocupou, transformando-a em seu antro de jogos e bebedeiras.
Hoje, ela precisava reaver o lugar.
Atrás dela estavam o advogado do escritório de advocacia e alguns funcionários responsáveis pela desocupação.
Sófia respirou fundo e, de saltos altos, subiu os degraus do prédio.
O corredor estreito estava impregnado com um cheiro forte de fumaça e mofo, as paredes cobertas de pichações, e o chão de cimento estava esburacado.
No terceiro andar, da porta de madeira entreaberta, vinha um barulho de gritos de jogos de bebida e o tilintar de garrafas.
Sófia franziu a testa, levantou a mão e bateu com força na porta.
"Quem é?" veio o grito impaciente de Regis de dentro, acompanhado pelo som de passos cambaleantes.
A porta foi aberta bruscamente. Regis usava uma camiseta amassada, o cabelo um ninho de passarinho, e seus olhos estavam injetados de sangue.
Ao ver Sófia na porta, ele primeiro ficou perplexo, depois exibiu um sorriso canalha: "Ora, se não é a Sófia, que visita rara. Veio ver seu pai?"
O olhar de Sófia passou friamente por ele e depois pela bagunça dentro do apartamento—
O chão estava coberto de pontas de cigarro e garrafas vazias, alguns homens bêbados estavam esparramados no sofá, e na mesa ainda havia cartas de um jogo de pôquer inacabado.
Ela franziu ainda mais a testa: "Esta casa foi comprada pela minha mãe, e a escritura está no meu nome. Você, saia."
"No seu nome?" Regis riu como se tivesse ouvido a maior piada do mundo. "Sófia, não venha com essa para cima de mim. Sua mãe se foi, esta casa deveria ser minha. Você é uma filha casada, água que já foi derramada. Que direito você tem de reivindicar a casa?"
"Legalmente, esta casa é minha."
Sófia se afastou, permitindo que o advogado atrás dela se adiantasse.
O advogado apresentou um documento a Regis: "Sr. Lopes, esta é a escritura da propriedade e a respectiva ordem judicial."
"Que tal levá-lo ao hospital primeiro?"
Sófia ficou em silêncio por um momento.
Ela sabia que Regis estava apenas sendo teimoso. Mas se a situação se tornasse um escândalo ali, não seria bom para sua reputação.
Ela se levantou e ordenou friamente: "Levem-no ao hospital."
Os funcionários não ousaram demorar e, desajeitadamente, levaram Regis para o carro estacionado no andar de baixo.
Sófia entrou em outro carro e seguiu atrás, sentindo-se extremamente irritada.
O carro logo entrou no portão do hospital central da cidade.
Regis foi levado para a emergência, enquanto Sófia esperava no corredor.
Observando os médicos e enfermeiros que passavam, sua mente estava um caos.
Nesse momento, um médico de jaleco branco passou por ela e, ao vê-la, parou.
"Srta. Lopes?"
Sófia ficou surpresa por um momento, virou a cabeça e viu um rosto um tanto familiar.
Ela pensou um pouco e se lembrou: era o médico que havia examinado Gregório da última vez que ela o acompanhou para o check-up, de sobrenome Tavares.
"Dr. Tavares." Sófia assentiu educadamente.
O rosto do Dr. Tavares estava sério. Ele a examinou de cima a baixo e disse, hesitando: "Srta. Lopes, você é parente do Diretor Pacheco, certo?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...