Gregório, ao vê-la assim, sentiu o coração amolecer e não resistiu a inclinar-se para depositar um beijo suave em sua testa.
"Gregório", Sófia falou baixinho, "obrigada."
"Por que me agradecer?", Gregório sorriu e, com cuidado, pegou Clara dos braços dela.
Seus movimentos eram gentis, temendo acordar a menina em seus braços. Seu braço sustentava firmemente as pernas e as costas de Clara, uma postura tão praticada que parecia natural. "Vamos, vamos para casa."
"Pedi para a cozinha preparar uma canja, perfeita para a Clara."
Sófia assentiu e o seguiu até o carro.
Gregório primeiro colocou Clara cuidadosamente na cadeirinha de segurança infantil no banco de trás, cobriu-a com um pequeno cobertor e depois contornou o carro até o banco do passageiro para abrir a porta para Sófia.
Sófia entrou no carro e, observando seus gestos atenciosos, sentiu um calor no coração.
O aquecimento do carro estava agradável, e Clara, encostada na cadeirinha, logo adormeceu profundamente.
Gregório segurava o volante, seu olhar ocasionalmente se desviando para Sófia pelo retrovisor. Vendo-a de cabeça baixa, perdida em pensamentos, ele suavizou a voz: "Não pense demais nisso. Eu estou aqui."
Sófia levantou a cabeça e encontrou o olhar dele.
Ela estendeu a mão e a pousou suavemente sobre a mão dele, que repousava na alavanca de câmbio. O contato de seus dedos com os dele transmitiu uma sensação de calor.
A mão de Gregório hesitou por um momento, mas logo ele a segurou de volta, entrelaçando seus dedos com os dela.
-
O carro entrou suavemente pelos portões da Mansão Pacheco.
Gregório desligou o motor, olhou para Clara dormindo tranquilamente no banco de trás e depois para Sófia, que estava encostada na janela, pensativa. Ele falou baixo: "Chegamos."
Sófia voltou a si. Quando estava prestes a abrir a porta, Gregório já havia descido e contornado o carro para abri-la para ela.
Sua mão naturalmente se posicionou acima do batente da porta para evitar que ela batesse a cabeça, um gesto tão familiar que parecia ter sido feito mil vezes.
"Cuidado", ele sussurrou.
Sófia assentiu. Ao se abaixar para sair do carro, seus dedos roçaram acidentalmente as costas da mão dele. Ambos hesitaram por um instante e depois sorriram um para o outro.
"Eu levo a Clara." Gregório foi o primeiro a ir para o banco de trás, soltando cuidadosamente o cinto da cadeirinha e pegando a menina gentilmente nos braços.
Clara dormia profundamente, sua cabecinha apoiada em seu pescoço, a respiração quente roçando sua pele com um leve cheiro de leite.
Seus movimentos eram leves, seus passos lentos, com medo de perturbar a pequena em seus braços.
Sófia o seguia, observando suas costas retas e a pequena figura encolhida em seus braços. A irritação causada pelo escândalo de Regis se dissipou, substituída por um sentimento de calor.
A empregada já esperava na porta da sala. Ao vê-los chegar, aproximou-se rapidamente: "Senhor, Srta. Lopes, a canja está aquecida na panela e o remédio para febre foi preparado conforme as instruções do médico."
Ele parou, não continuou.
Depois, durante o período do divórcio, ele frequentemente ficava sozinho na casa vazia, olhando para uma panela de canja fria, perdido em pensamentos.
O coração de Sófia sentiu como se algo o tivesse tocado suavemente. Ela se aproximou e o abraçou por trás.
Seu rosto se aninhou em suas costas, ouvindo as batidas firmes e fortes de seu coração, sua voz suave: "Gregório, obrigada."
O corpo de Gregório enrijeceu por um momento, depois ele segurou a mão dela de volta: "Por que me agradecer? Você e a Clara são minha responsabilidade. Você já me agradeceu tantas vezes hoje."
Ele se virou, envolvendo-a em seus braços, e olhou em seus olhos.
Naqueles olhos, sempre cheios de ternura, agora se refletia sua imagem, tão nítida que parecia irreal.
"Sófia", seu nariz tocou a testa dela, suas respirações se misturando. "Não seja mais tão formal comigo, está bem?"
O coração de Sófia deu um pulo, suas bochechas esquentando.
Ela estava prestes a falar quando ouviu a voz suave de Clara vindo do quarto: "Mamãe... com sede..."
Eles se olharam e sorriram, separando-se rapidamente.
Gregório foi até o bebedouro, serviu um copo de água morna, misturou com um pouco de água fria, verificou a temperatura e só então entregou a Sófia: "A temperatura está perfeita."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...