"A comida da cozinha não é feita com o mesmo carinho que a minha."
Sófia ergueu uma sobrancelha.
Gregório segurou seu pulso e, com um puxão suave, a trouxe para seu colo.
"O que você está fazendo?", exclamou Sófia, tentando se levantar, seu rosto pressionado contra a camisa dele, onde podia ouvir claramente as batidas firmes de seu coração.
"Não se mexa."
O queixo de Gregório repousava no topo da cabeça dela, sua voz profunda e rouca. "Deixe-me te abraçar um pouco, só um pouco."
"Tenho estado tão cansado ultimamente. Só me sinto seguro quando te abraço."
Seu abraço era amplo e quente, com um leve aroma de cedro, um cheiro que era unicamente dele.
O corpo de Sófia relaxou gradualmente. Ao seu ouvido, o som constante e forte do coração dele batia, um por um, em seu próprio coração.
"Lá no elevador, ouvi as pessoas comentando sobre você", disse Gregório de repente, sua voz com um toque de desculpa. "Sinto muito que tenha que passar por isso."
"Não há pelo que se desculpar", Sófia balançou a cabeça, sua voz suave. "A boca é deles, podem dizer o que quiserem. Eu não me importo."
"Mas eu me importo", Gregório apertou os braços, segurando-a com mais força. "Não quero que você sofra a menor injustiça."
"Assim que este período agitado passar, vamos nos casar de novo. Anunciarei a toda a empresa que você é minha esposa, Gregório, por direito e de papel passado."
O corpo de Sófia enrijeceu por um momento, depois ela o empurrou suavemente no peito, com um sorriso nos olhos: "Quem disse que quer se casar com você? Eu ainda não aceitei."
"Então eu esperarei", Gregório baixou a cabeça, seu nariz roçando o cabelo dela, seu tom sério. "Até o dia em que você disser sim."
"Primeiro, cuide da sua saúde."
Sófia suspirou, seus dedos deslizando pelas costas tensas sob a camisa dele. "Se você continuar a não se cuidar, esqueça o novo casamento, nem sopa eu vou te trazer mais."
Gregório olhou para os olhos dela, que começavam a ficar vermelhos, e a ternura em seu olhar quase transbordou.
Ele sabia que o coração dela já estava amolecendo.
Ele não tinha pressa. Tinha todo o tempo do mundo para esperar, esperar que ela deixasse o passado para trás completamente, esperar que ela, de bom grado, passasse o resto da vida com ele.
Ele se inclinou e depositou um beijo suave no topo da cabeça dela, sua voz tão terna quanto um sussurro entre amantes: "Certo, farei tudo como você quiser."
"O que você disser, está dito."
Não se sabe quanto tempo passou, mas o celular de Sófia tocou de repente, o toque quebrando o silêncio do escritório.
Ela pegou o celular e viu que era a professora do jardim de infância. Atendeu rapidamente.
"Alô, Professora Lílian."
"Olá, mãe da Sófia", a voz da Professora Lílian tinha um tom de desculpa. "A Clara está com um pouco de febre baixa esta tarde, não parece muito bem. Você poderia vir buscá-la?"
A Professora Lílian estava de pé ao lado da portaria, segurando a mão de Clara. A menina estava encostada na professora, apática, com o rosto corado.
Ao ver a figura de Sófia, ela conseguiu forçar um sorriso: "Mamãe."
O coração de Sófia apertou. Ela estacionou o carro rapidamente e correu, tocando a testa da filha. A temperatura estava realmente um pouco alta.
"Muito obrigada pelo seu trabalho, Professora Lílian", disse ela, pegando Clara no colo, sua voz cheia de desculpas. "Desculpe o incômodo."
"Não se preocupe, mãe da Sófia. A Clara foi muito boazinha, só não estava com muito apetite, não comeu quase nada no almoço."
A Professora Lílian sorriu e entregou-lhe um pequeno pacote de remédios. "A enfermeira da escola colocou um adesivo para febre nela e receitou um remédio fitoterápico. Lembre-se de dar a ela na hora certa."
Sófia concordou com tudo. Enquanto se preparava para ir ao estacionamento com Clara nos braços, uma voz aguda e áspera gritou atrás dela.
"Sófia! Fique onde está!"
A voz era rouca e carregada de uma fúria desesperada. Os passos de Sófia pararam bruscamente, e todos os pelos de seu corpo se arrepiaram.
Essa voz, ela jamais esqueceria.
Ela se virou lentamente e viu Regis parado à sombra de uma árvore não muito longe, vestindo uma camisa amassada, os olhos injetados de sangue, encarando-a fixamente.
Clara, assustada com a cena, encolheu-se nos braços de Sófia e sussurrou: "Mamãe, estou com medo."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...