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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1308

Sófia, parada na porta, observava a cena dentro de casa, sentindo um aperto no peito.

As almofadas no sofá estavam jogadas de qualquer maneira, a mesinha de centro estava cheia de pratos sujos e havia alguns cacos de porcelana no chão, claramente resultado de algo quebrado com raiva.

Aquilo não era mais o lar limpo e arrumado que ela lembrava.

"Mãe."

Sófia entrou, deixou a cesta de frutas que trazia e franziu a testa. "Por que a casa está essa bagunça?"

Wanda se levantou, enxugando os olhos vermelhos, sua voz exausta como água parada: "O que mais poderia ser?"

"Seu pai veio aqui ontem e fez uma cena de novo. Disse que se eu ousasse me divorciar, ele destruiria esta casa."

"Esses pratos, foi ele quem quebrou."

Ela suspirou, evitando o olhar de Sófia, e começou a arrumar as almofadas no sofá. "Eu não queria te contar. Você já tem coisas demais para se preocupar ultimamente: a empresa, a Família Pacheco, e ainda o Enzo... Tive medo de te distrair."

Sófia sentiu uma pontada no coração. Ela se aproximou e segurou a mão fria de sua mãe: "Mãe, por que essas formalidades comigo?"

Clara, já familiarizada com o lugar, correu para o quarto, pegou os doces que Wanda escondia e, na ponta dos pés, ofereceu a ela: "Vovó, come um doce. Doce faz a tristeza passar."

Wanda pegou o doce, mas não o comeu, apenas o segurou com força na mão. Vendo Sófia se abaixar para recolher os cacos do chão, seus olhos ficaram vermelhos de novo: "Eu já chamei uma faxineira, ela vem amanhã de manhã."

"Não se preocupe com isso, sente-se um pouco."

Sófia não parou. Colocou os cacos no lixo, pegou um pano e começou a limpar as manchas na mesinha, sua voz carregada de uma raiva contida: "Ele passou dos limites."

"Isso é um ultraje."

Ela já conhecia a face descarada de Regis.

Mas não imaginava que ele seria capaz de fazer algo assim com sua própria mãe.

Quebrar coisas, difamar, até mesmo acusá-la falsamente de adultério, tudo para conseguir uma parte maior dos bens.

"Mãe, deixe este assunto comigo."

Sófia se endireitou. "Vou contratar o melhor advogado e reunir todas as provas contra ele."

"Ele não quer os bens? Farei com que ele não receba um centavo."

"Ele não quer arruinar sua reputação? Farei com que todos saibam o tipo de pessoa que ele é."

Wanda olhou para a determinação nos olhos da filha, sentindo um misto de orgulho e dor.

Ela havia crescido, podia se virar sozinha.

Nesse momento, o celular de Sófia tocou.

Era Gregório.

Ela hesitou por um momento antes de atender.

"Onde você está?"

"Na casa da minha mãe." Sófia olhou para a noite lá fora. "O que foi?"

"Nada." A voz de Gregório fez uma pausa. "Acabei de terminar o trabalho e, como você ainda não tinha voltado, fiquei um pouco preocupado."

O coração de Sófia se aqueceu. Ela estava prestes a dizer "Já estou voltando" quando ouviu passos no corredor.

Antes que pudesse reagir, bateram suavemente na porta.

Wanda olhou para a mão que ele estendia, os dedos de ossos finos e com leves calos.

Ela hesitou por um momento, mas acabou aceitando, sua voz um pouco mais suave: "Obrigada, não precisava se incomodar."

"É o mínimo que eu poderia fazer." Gregório sorriu e olhou para Sófia. "Já terminou? Se sim, podemos ir."

Sófia olhou para a mãe, depois para Clara, e assentiu: "Quase."

Wanda disse apressadamente: "Qual a pressa? Fiquem para o jantar. Vou preparar algo agora mesmo."

"Não precisa, tia."

Gregório a deteve. "Nós já jantamos."

"Além disso, Clara tem aula amanhã, não pode dormir muito tarde."

Clara também concordou: "É verdade, vovó, eu tenho que acordar cedo amanhã."

Wanda não conseguiu convencê-los e teve que desistir.

Ela os acompanhou até a porta, observando Gregório pegar a mão de Sófia com naturalidade e carregar Clara nos braços, e suspirou interiormente.

Talvez, algumas coisas realmente devessem ser deixadas para trás.

A luz do corredor, ativada por som, acendeu e apagou. Gregório, carregando Clara e de mãos dadas com Sófia, ia na frente.

Wanda, parada na porta, observou suas costas até que desaparecessem no final do corredor, e só então fechou a porta lentamente.

Ela foi até a mesinha de centro, pegou a caixa de suplementos e acariciou a embalagem. Um sorriso de alívio finalmente apareceu em seus lábios.

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