A voz de Lucas era suave, mas cada palavra era clara. "Você e eu sabemos que tipo de pessoa é o Vicente."
"Ele é um peão plantado no país por forças estrangeiras. Não preciso nem dizer quanto sangue ele tem nas mãos ou quantos atos prejudiciais aos interesses nacionais ele cometeu."
Ele se inclinou para a frente, seu olhar aguçado fixo no rosto de Gregório. "Enzo é uma bomba-relógio."
"Agora ele é pequeno, não entende essas disputas e ressentimentos. Mas quando crescer e souber a verdade, souber que sua mãe biológica foi derrubada por você, que ele vive de favor, vendo você, a Sófia e a Clara como uma família feliz, o que ele pensará?"
"Será que ele não os verá como os inimigos que destruíram sua família?"
"Será que, por causa desse ressentimento, ele não será usado por essas forças estrangeiras?"
As perguntas de Lucas eram diretas e certeiras.
"Nós somos de fora, não temos nenhum vínculo emocional com esse garoto, e vemos as coisas com mais clareza do que vocês."
"Mantê-lo ao seu lado é como plantar uma mina terrestre. Quando essa mina vai explodir, e como, ninguém sabe."
Gregório pousou a xícara de chá, seus dedos acariciando a borda. O calor da parede da xícara se espalhou por seus dedos.
Ele permaneceu em silêncio por um longo tempo antes de falar, sua voz baixa e rouca. "Eu sei."
Duas palavras, ditas de forma casual, que fizeram Lucas franzir a testa.
Ele se inclinou para a frente. "Sabe? Você sabe e ainda o mantém em casa? Gregório, você não é do tipo que age por impulso."
"Você sabe muito bem os riscos envolvidos, por que ainda está se arriscando?"
"Sófia tem um coração mole."
A voz de Gregório baixou um pouco. "Ela cuidou desse menino por cinco ou seis anos, desde que era um bebê balbuciante até se tornar uma criança que mal andava. Ela dedicou muito esforço a ele, tem sentimentos por ele."
"Com a queda da Família Oliveira e a prisão de Vicente, o menino já é digno de pena."
"Ela quer dar a ele uma chance, uma chance de recomeçar."
Lucas ficou em silêncio.
Ele conhecia a personalidade de Sófia: gentil, mas com seus próprios limites e senso de proporção.
Ele olhou para Gregório, e a dúvida em seus olhos gradualmente se dissipou, substituída por um toque de resignação. "Mantê-lo por perto ainda é como ter uma bomba enterrada."
"Especialmente por causa da Clara."
"A Clara é pequena, tem um coração puro, não tem malícia."
O tom de Lucas tornou-se mais grave, seus dedos batendo levemente na mesa. "Agora ela trata o Enzo como um irmão mais velho, fica grudada nele o dia todo, brincando alegremente."
"Ela divide seus lanches com o Enzo e é a primeira a defendê-lo quando ele é intimidado."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...