Naquele dia.
Lucas Dutra marcou um encontro com Gregório Pacheco.
Lucas chegou mais cedo e escolheu uma sala reservada com vista para a janela.
O incenso de sândalo queimava suavemente, e no bule de cerâmica, um chá raro envelhecido borbulhava, seu aroma rico e encorpado preenchendo todo o ambiente.
Quando a porta se abriu, Gregório entrou, trazendo consigo um ar fresco e cortante.
Ele havia tirado o paletó do terno, vestindo apenas uma camisa branca impecavelmente passada, com as mangas dobradas até os antebraços, revelando os ossos bem definidos de seus pulsos.
"Sente-se." Lucas ergueu o queixo, indicando a cadeira de mogno em frente a ele.
Com uma colher de chá, ele mexia delicadamente as folhas na xícara, seus movimentos lentos e metódicos. "Acabei de receber notícias do Sudeste Asiático. As forças estrangeiras por trás de Vicente Oliveira estão fazendo novos movimentos."
Gregório sentou-se, as pontas dos dedos tocando a xícara morna, seu semblante instantaneamente sério. "O que descobriram? É contra a NexGen Tecnologia ou contra a Família Pacheco?"
"Ambos."
Lucas empurrou um arquivo criptografado em sua direção e serviu-lhe uma xícara de chá.
O líquido do chá era de um vermelho intenso e brilhante, e o vapor subia em espirais. "Eles estão tentando contatar os parceiros internacionais da NexGen, especialmente alguns fornecedores na Europa. Querem mexer na cadeia de suprimentos para roubar tecnologia essencial."
"Além disso, a Segurança Nacional interceptou algumas mensagens. Alguém está investigando secretamente a antiga mansão da Família Pacheco, parecendo querer encontrar uma brecha através do avô."
Gregório pegou o arquivo e o folheou rapidamente, seus olhos percorrendo as linhas de texto denso, a força em seus dedos aumentando gradualmente. "Essas pessoas realmente sabem escolher o alvo mais fraco."
"Não é que estejam escolhendo o alvo mais fraco, mas sabem que o avô vive recluso nas montanhas, sabe pouco sobre os assuntos externos e é mais fácil de ser enganado."
Lucas recostou-se na cadeira, as pontas dos dedos batendo levemente na mesa, produzindo um som nítido. "E do seu lado, como está a coordenação com o pessoal da Segurança Nacional? Já montaram vigilância ao redor da antiga mansão?"
"Já está tudo sob vigilância."
Ter um objetivo em comum os tornava amigos.
Se não fossem por suas posições conflitantes no passado, eles poderiam ter sido confidentes raros.
A interação entre pessoas inteligentes flui naturalmente.
Sobre assuntos de trabalho, não era preciso dizer muito; ambos se entendiam.
A sala ficou em silêncio por um tempo, apenas com o som da água fervendo e o suave aroma de sândalo.
Lucas pousou a xícara, olhou para Gregório e disse em tom calmo: "Vamos falar de outra coisa. Sobre o Enzo."
A mão de Gregório, que folheava o arquivo, parou. Ele ergueu o olhar, um traço de compreensão em seus olhos, mas não respondeu. Apenas pegou sua xícara e bebeu o chá lentamente, indicando para que ele continuasse.
"Não é apropriado que esse garoto fique na sua casa."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...