Ela fez uma pausa e continuou: "O que aconteceu no passado talvez tenha motivos que não conhecemos, mas, de qualquer forma, a culpa não é sua. A senhora não pode se punir pelos erros dos outros."
Rita se apoiou no ombro de Sófia, chorando como uma criança desamparada.
Todos os anos de tolerância e dissimulação, naquele momento, desmoronaram completamente.
-
Dentro do quarto.
Gregório olhava para a porta fechada, seus olhos sombrios.
Nereu olhou para ele, com um sorriso de escárnio nos lábios: "Agora você sabe, não é? Vicente é seu irmão de sangue."
Gregório estava recostado na cama, o rosto pálido, mas um fogo frio ardia em seus olhos.
Ao ouvir a frase leviana de Nereu, "irmão de sangue", ele torceu os lábios, e o sorriso que escapou era gelado até os ossos.
"Irmão de sangue?" ele disse, sílaba por sílaba. "Mesmo que seja, se cometeu o crime de traição e vazamento de segredos de estado, tem que ir para a prisão."
Assim que terminou de falar, ele baixou o olhar, seus dedos batendo rapidamente na tela do celular, enviando uma mensagem para seu contato na Agência de Segurança Nacional: [Nereu não tinha sido levado para interrogatório? Por que ele está no hospital?]
No instante em que pressionou "enviar", ele ergueu os olhos para Nereu.
Nereu ficou momentaneamente desconcertado com seu olhar, deu dois passos à frente e o encarou de cima: "Gregório, não seja tão cruel! Todos esses anos, como seu pai, quando foi que eu te tratei mal? A glória da Família Pacheco, o que eu não te dei?"
"Glória?" Gregório reagiu como se tivesse ouvido a maior piada do mundo. "A sua tal glória não passa de uma corrente em volta do meu pescoço."
"É pressão sem fim, é exploração descarada."
Ele se apoiou nos braços para se sentar, o olhar afiado como uma faca, perfurando Nereu: "Você acha que eu não sei?"
Quando Sófia abriu a porta e entrou, o ar no quarto ainda estava carregado de uma frieza estagnada.
Ela segurava um copo de água morna, aproximou-se da cama e disse em voz baixa: "Não pense demais nisso, relaxe, sua saúde é o mais importante."
Gregório ergueu os olhos para ela, a frieza em seu olhar diminuiu um pouco, mas sua voz ainda estava rouca: "Como está minha mãe?"
Sófia entregou-lhe o copo de água, sentou-se na cadeira ao lado da cama e suspirou suavemente: "Já mandei levá-la para casa."
"Ela ainda está muito abalada. Afinal, foram décadas de casamento, é realmente inaceitável descobrir que o marido a traiu e ainda teve um filho fora do casamento."
Gregório apertou o copo em sua mão, o frio do vidro se espalhando por seus dedos.
Ele baixou o olhar para a água tremeluzente no copo e não disse mais nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...