Por tantos anos, ela seguiu as regras da Família Pacheco, administrou os vastos negócios da família, pensando que havia se casado com um homem honrado e forte, mas não esperava ter sido enganada o tempo todo. A traição de seu companheiro escondia um segredo tão chocante.
"Como você ousa... Como você ousa!" Rita gritou em desespero, levantando a mão para rasgar o documento em pedaços, mas foi firmemente impedida por Nereu.
Ele olhou para a mulher que parecia ter enlouquecido, e um traço de impaciência passou por seus olhos. "Isso aconteceu há tantos anos, por que você insiste em remoer o passado?"
"Passado?" Rita reagiu como se tivesse ouvido a maior piada do mundo. Ela se soltou da mão de Nereu, deu alguns passos cambaleantes para trás, e seu olhar caiu sobre Gregório, que estava igualmente pálido na cama. As lágrimas caíram ainda mais forte. "Gregório, meu filho, seu pai... como ele pôde fazer isso conosco?"
Gregório observou o desespero de sua mãe, a ferida em seu peito latejando dolorosamente. Ele abriu a boca, mas descobriu que sua garganta estava seca demais para emitir qualquer som.
Rita chorava e gritava, cada vez mais agitada. Ela pegou o copo de água da mesa e o atirou com força no chão, estilhaçando o vidro por toda parte.
"Não quero mais viver! Não dá mais para viver assim!"
Ela gritou, prestes a se jogar contra a parede.
Sófia, com reflexos rápidos, a abraçou.
"Dona Rita! Não faça isso!"
A voz de Sófia era urgente. Ela segurou firmemente os braços de Rita, sentindo o corpo dela tremer violentamente em seus braços, e seu coração se apertou.
Ela conseguia entender o colapso de Rita. Décadas de companheirismo resultaram em uma verdade tão sórdida; ninguém conseguiria suportar.
"Me solte! Deixe-me morrer!" Rita se debatia, chorando e gritando, com a voz rouca. "Eu fiz tudo certo por ele e pela Família Pacheco! Minha consciência está limpa! Como ele pôde fazer isso comigo!"
Ele sabia que o estado atual de Rita era como um barril de pólvora, e qualquer outra provocação poderia levar a algo terrível.
Sófia aproveitou a oportunidade e, com firmeza, ajudou Rita a sair do quarto.
O cheiro de desinfetante no corredor era forte. Rita se apoiou no ombro de Sófia, chorando até seu corpo amolecer.
"Sófia..."
A voz de Rita estava carregada de choro. "Eu estive com ele a vida inteira, dei meu coração e minha alma por ele, como ele pôde me esconder algo tão grande? Aquele filho ilegítimo... como ele ousou..."
Sófia a ajudou a sentar-se em um banco no corredor, dando tapinhas suaves em suas costas e consolando-a com uma voz gentil: "Dona Rita, o que aconteceu, aconteceu, não adianta ficarmos tristes. A senhora precisa cuidar da sua saúde, o Gregório precisa de você, a Clara também precisa de você."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...