Os dois, juntos, levaram Gregório para o banco de trás de um carro de neve modificado que estava ao lado.
Este carro era mais discreto do que o veículo off-road que haviam dirigido antes, sua carroceria coberta com uma camada de camuflagem da mesma cor do campo de gelo, claramente resultado de um tratamento especial.
Daniel sentou-se no banco do motorista e seus dedos digitaram rapidamente no console central. Uma série de códigos complexos piscou na tela, e a luz de aviso vermelha logo se tornou verde.
"Sistema anti-rastreamento ativado. Conseguiremos bloquear a localização deles temporariamente."
Ele virou a cabeça e olhou para os dois no banco de trás. "Segurem-se firme, precisamos sair daqui o mais rápido possível."
O aquecimento do carro começou a fluir lentamente, dissipando um pouco do frio.
Sófia deixou a cabeça de Gregório repousar em seu colo. A consciência do homem já estava um pouco turva, e ele murmurava algo intermitentemente.
Ela se inclinou, aproximando o ouvido, e só então conseguiu entender o que ele repetia.
"O chip... não pode ser perdido..."
Sua mão se agitava no ar sem consciência, acabando por agarrar firmemente o pulso de Sófia, com uma força que parecia querer esmagar seus ossos.
O coração de Sófia deu um salto. Ela olhou para o rosto pálido do homem: "Eu sei, o chip está comigo, não vai se perder."
O chip estava escondido no bolso interno de seu traje de frio, junto ao coração. Ela o havia roubado do laboratório de Vicente, e ele continha todas as provas de sua colaboração com forças estrangeiras e do desvio de fundos de projetos nacionais.
Isso também era a chave para derrubar Vicente.
Daniel viu a cena pelo retrovisor, e sua mão no volante se apertou.
Ele ficou em silêncio por um momento e, de repente, falou, quebrando o silêncio mortal.
"O Diretor Pacheco começou a investigar os segredos obscuros de Vicente há seis anos."
O olhar de Daniel estava fixo à frente. "Naquela época, não era por falta de confiança em você, mas por medo de que você se envolvesse e corresse perigo de vida."
Sófia estremeceu.
Ele gritou baixo, segurando o volante com força e virando-o bruscamente para a direita.
O carro balançou violentamente. Gregório, no banco de trás, bateu com força no encosto, e a ferida em seu peito se abriu instantaneamente.
Ele soltou um gemido abafado, um gosto metálico subiu à garganta, e ele o engoliu à força.
O sangue quente encharcou a gaze e logo manchou o cobertor do banco de trás, espalhando uma mancha vermelha escura e alarmante.
O coração de Sófia subiu à garganta, e ela pressionou firmemente o ombro de Gregório: "Como você está?"
A consciência de Gregório já estava se dissipando, sua visão escurecendo, mas ele sabia que não era hora de desmaiar.
Ele estendeu a mão trêmula e tirou um saco selado do bolso interno de sua roupa. O saco era feito de um material especial à prova d'água e de pressão, e parecia duro em sua mão.
Ele, com dificuldade, colocou o saco selado na palma da mão de Sófia. O toque gelado de seus dedos a fez estremecer.
"Aqui dentro... está a cópia do chip... e a lista de provas..."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...