À noite.
No escritório da propriedade da Família Dutra.
A luz quente de um abajur de chão dividia o vasto espaço em luz e sombra. A mesa estava coberta de relatórios financeiros, contratos e extratos do Grupo Tavares e da Avanço, com letras miúdas que cansavam a vista.
Geovana esfregou os olhos doloridos, seu dedo deslizando sobre uma marcação vermelha na tela do tablet. Era uma falha financeira que ela levou três horas para encontrar –
Um investimento que o Grupo Tavares fez no exterior no ano passado. A contabilidade parecia impecável, mas no fluxo de fundos havia um canal oculto que levava diretamente à conta pessoal de Vicente.
"Encontrei." A voz de Geovana estava rouca pela noite em claro, mas não conseguia esconder um pingo de excitação.
Ela cutucou Lucas, que estava ao seu lado, e lhe entregou o tablet. "Olhe, a Família Tavares e a Avanço realmente têm transações financeiras. A quantia é considerável, o suficiente para chamar a atenção da comissão de valores mobiliários."
Lucas, que estava examinando um documento de licenciamento de patente da Avanço, ergueu o olhar, seus olhos vermelhos de cansaço.
Ele pegou o tablet, seus dedos deslizando pela tela, seus olhos passando rapidamente pelos dados. Suas sobrancelhas se relaxaram gradualmente: "Este é um excelente ponto de partida. Amanhã, peça ao departamento jurídico para acompanhar e consolidar as provas."
Ele olhou para o relógio de pulso; o ponteiro já indicava três da manhã.
A noite lá fora era densa e escura. No escritório, ouviam-se apenas o som da caneta deslizando no papel e os sussurros ocasionais dos dois.
"Descanse um pouco."
O olhar de Lucas pousou no rosto pálido de Geovana, seu tom com uma preocupação quase imperceptível. "Eu posso continuar com estes documentos sozinho."
Geovana acenou com a mão, pegou uma caneta da mesa e começou a rabiscar no papel: "De jeito nenhum. Combinamos de lutar lado a lado."
"Além disso, não quero ficar para trás e envergonhar o nome de Sra. Dutra."
Seu tom era brincalhão, e Lucas não pôde deixar de rir.
Mas Geovana parecia ter se animado. Ela se inclinou para frente, seus olhos brilhando com malícia: "Ah, eu esqueci. Acho que agora eu deveria mudar a forma de te chamar, não é?"
"Deveria dizer... obrigada, marido."
Ela arrastou as duas últimas palavras, o final de sua voz carregado de um tom zombeteiro.
"..."
As orelhas de Lucas ficaram vermelhas instantaneamente. Ele virou o rosto bruscamente, limpou a garganta e ficou sem palavras por um bom tempo.
Vendo sua rara expressão de embaraço, Geovana riu ainda mais.
Ela pousou a xícara de café, apoiou os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos, observando-o: "Ora, ficou com vergonha? Lembrei-me agora, você nunca teve uma namorada, não é? E assim, foi pego por mim para se casar. Foi uma injustiça com você, Sr. Lucas?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...