Renata recostou-se na cama, seus dedos traçando suavemente os padrões do lençol, seus olhos calmos, sem qualquer onda de emoção.
A palavra "não" do assistente a fez finalmente entender qual era o seu lugar no coração de Daniel.
Apenas uma conhecida do passado, alguém que ele foi ordenado a proteger, e nada mais.
"Eu quero vê-lo." A voz de Renata era muito suave.
O assistente ficou surpreso, parecendo não esperar tal pedido.
Ele hesitou por um momento, mas acabou concordando: "Certo, irei informar o Terceiro Senhor."
A porta foi fechada suavemente, e o quarto voltou ao silêncio mortal.
Renata olhou pela janela.
Ela não sabia quanto tempo esperou, tanto tempo que até o som do monitor se tornou entorpecente.
Até que a porta do quarto se abriu e duas figuras entraram, uma atrás da outra.
O primeiro era Daniel.
Ele usava um sobretudo preto, sua postura ereta, seus traços profundos, mas em seu rosto, geralmente frio e duro, havia agora um toque de suavidade quase imperceptível.
E ao seu lado, de braços dados com ele, estava Soraia.
Soraia usava um vestido branco requintado, maquiagem impecável, seu sorriso era gentil, como uma rosa branca florescendo no inverno.
Ao ver Renata, ela soltou o braço de Daniel e deu alguns passos à frente, seu tom deliberadamente íntimo: "Srta. Rocha, não esperava encontrá-la aqui."
"Daniel disse que viria visitar um amigo, e eu vim junto. Você não se importa, não é?"
A pergunta, embora parecesse educada, estava carregada de uma clara demonstração de posse.
Ele nem sequer a olhou diretamente, seu olhar pousou na neve do lado de fora da janela: "Srta. Rocha, acho que você entendeu algo errado."
Ele fez uma pausa, virou a cabeça e a encarou com um olhar pesado, cada palavra como um estilete de gelo perfurando seu coração: "Eu não tenho nenhuma razão para compartilhar minhas informações com você."
Cruel e implacável.
Uma única frase, mas foi como um balde de água gelada derramado sobre a cabeça de Renata, apagando instantaneamente todas as chamas de esperança em seu coração.
Ela o encarou, atônita, olhando para o homem que um dia esteve ao seu lado, protegendo-a de todas as tempestades, olhando para a frieza desconhecida em seus olhos. Sentiu os olhos arderem, mas nenhuma lágrima caiu.
Soraia, de pé ao lado, observou tudo, um sorriso quase imperceptível surgindo em seus lábios.
Ela deu um passo à frente, pegou novamente o braço de Daniel, seu tom um pouco manhoso: "Daniel, eu não disse? Esse tipo de coisa não é da nossa conta."
"Aquele Vicente é um homem cruel, por que deveríamos nos meter nisso?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...