Sófia ergueu o olhar para Gregório: "Você acha que sou uma criança, tão fácil de enganar?"
Ao ouvir isso, um sorriso muito tênue surgiu nos lábios de Gregório.
Ele a olhou. "Às vezes, eu realmente gostaria que você fosse assim, fácil de enganar."
Pelo menos, assim, ela não se envolveria nesta confusão com ele.
Não o acompanharia nesta vigília em meio ao gelo e à neve, e muito menos seria arrastada para esta crise de correntes ocultas.
Sófia estava prestes a falar.
Mas o ouviu mudar de assunto: "O que você quer comer esta noite? Eu cozinho para você."
"Qualquer coisa." Sófia ficou um pouco surpresa, depois assentiu.
Ela sabia que os ingredientes aqui eram limitados, e já seria uma grande sorte conseguir uma refeição quente.
"Os ingredientes não são muitos, vou apenas fazer dois pratos simples."
Disse Gregório, levantando-se e caminhando em direção ao depósito.
Seus passos estavam um pouco trêmulos, e sua figura parecia mais frágil do que o habitual, claramente seu corpo ainda não havia se recuperado completamente.
Sófia levantou-se apressadamente para segui-lo: "Eu te ajudo."
"Não precisa." Gregório olhou para trás. "Você senta e espera para comer, não se canse."
Ele entrou sozinho na cozinha, procurando desajeitadamente pelos ingredientes.
Sófia sentou-se na cadeira da sala de estar, observando suas costas ocupadas na cozinha, com sentimentos mistos no coração.
Ela sabia que Gregório raramente cozinhava, podia-se dizer que quase nunca havia cozinhado.
Em sua memória, ele estava sempre de terno e gravata, circulando em vários eventos de negócios, o altivo Diretor Pacheco. Quando ele já teve essa aparência tão caseira?
Da cozinha vinha o som suave de panelas e pratos se chocando, ocasionalmente misturado com sua tosse reprimida.
Sófia sentiu um aperto no coração ao ouvir, e não pôde deixar de se levantar e ir até a porta da cozinha: "Gregório, é melhor você descansar, não se esforce tanto."
Gregório estava amarrando um avental e, ao ouvi-la, virou-se e sorriu: "Não estou me esforçando."
Os movimentos de Sófia pararam, e ela apurou o ouvido: "Que som é esse?"
"Provavelmente algum animal selvagem." Gregório pousou o garfo, a testa ligeiramente franzida.
Este lugar era deserto, e ocasionalmente animais polares apareciam, o que não era incomum.
Mas ele ainda se levantou e disse com voz grave: "Vou dar uma olhada lá fora."
"Não vá!" Sófia rapidamente agarrou seu pulso, os olhos cheios de preocupação. "Já está escuro lá fora, e a nevasca não parou. É muito perigoso."
Gregório olhou para sua testa franzida, deu um tapinha no dorso da mão dela e disse com firmeza: "É exatamente em momentos como este que devemos ir dar uma olhada."
"Se for algo perigoso, deixá-lo por perto é sempre um risco."
"Eu vou com você." Sófia disse, prestes a se levantar.
Mas Gregório balançou a cabeça: "Você fica aqui, tranque bem a porta. Eu volto logo."
Ele se soltou da mão de Sófia, pegou seu casaco de frio ao lado, vestiu-o e saiu a passos largos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...