Ao desligar a chamada com Bruno Barros, o som de linha ocupada ainda ecoava no auscultador quando as pontas dos dedos de Sófia Lopes já estavam úmidas de um suor fino.
Ela sabia que essa decisão era arriscada, mas não havia espaço para a menor hesitação.
A condição de saúde de Gregório Pacheco, o ambiente extremo da Antártida, cada palavra martelava seu coração como um malho pesado, impedindo-a de ficar de braços cruzados.
Ela percebeu a hesitação de Bruno, mas tinha certeza de que o assistente, que acompanhava Gregório há tantos anos, acabaria por entender suas boas intenções e, mais importante, priorizaria a segurança de Gregório.
E de fato, meia hora depois, Bruno enviou uma mensagem de texto: "Srta. Lopes, todas as formalidades foram concluídas. Sua vaga na equipe de pesquisa e a autorização de acesso à Antártida já foram registradas."
Sófia suspirou aliviada e se virou para o quarto para começar a fazer as malas.
Ao abrir a mala no fundo do guarda-roupa, a primeira coisa que dobrou e guardou foram alguns casacos de plumas extra grossos, todos de estilo profissional, à prova de vento e água, com fechos de velcro nos punhos e no colarinho para isolar ao máximo o ar frio.
No meio da arrumação, ela de repente se lembrou de algo, virou-se e foi até uma gaveta na escrivaninha, de onde tirou uma pequena caixa de remédios.
Dentro havia medicamentos comuns para tosse, resfriado e queimaduras de frio, além de algumas caixas de calmantes para ajudar a dormir.
Ela se lembrava que Gregório frequentemente sofria de insônia devido a preocupações excessivas, e talvez esses remédios pudessem ajudá-lo a aliviar um pouco.
Por fim, ela adicionou um pequeno frasco de vitaminas e alguns pacotes de biscoitos de alta densidade.
Quando tudo estava pronto, o céu lá fora já se aproximava do crepúsculo.
Sófia sentou-se no sofá e ligou para Wanda Guerra.
Ao pressionar a tecla de chamada, disse: "Mãe, está ocupada? Preciso te contar uma coisa."
"Sófia, querida, não estou ocupada, estava me preparando para fazer o jantar."
A voz de Wanda era suave.
"Qualquer coisa, me ligue imediatamente, ouviu?"
"Eu sei, obrigada, mãe."
Sófia respondeu com um sorriso, e ao desligar o telefone, sentiu os olhos um pouco marejados.
Nesse momento, ouviu-se um leve clique na fechadura da porta, e Clara entrou saltitando com sua mochila nas costas.
Ao ver a mala aberta na sala, ela se aproximou curiosa, inclinando a cabecinha: "Mamãe, você vai fazer uma viagem longa?"
Sófia se agachou, pegou a mochila dela e a colocou de lado, afagando seus cabelos macios: "Sim, a mamãe vai trabalhar em um lugar muito distante e deve demorar cerca de meio mês para voltar."
"Nestes dias, a vovó virá ficar com você. Você tem que ser boazinha e obedecer à vovó, estudar direitinho com o Sr. Ivan, não pode fazer travessuras, ouviu?"
O rostinho de Clara instantaneamente revelou uma expressão de relutância, com os lábios fazendo um pequeno bico, mas logo ela se endireitou e assentiu com maturidade: "Pode deixar, mamãe, vou ser boazinha! Mas para onde a mamãe vai? É longe? É frio?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...