"Não brigue com ele, e não perca essa chance de novo."
Sófia olhou para seu perfil concentrado na direção e sentiu um desconforto inexplicável, como se algo estivesse entalado em seu peito, sufocando-a.
Ele estava tentando juntá-la com Lucas?
Isso significava que ele não a amava mais, certo?
Só alguém que superou completamente um sentimento seria capaz de, com tanta naturalidade, tentar unir a pessoa amada a outro, de desejar que ela se casasse com outro homem.
Uma onda de mágoa e raiva a invadiu. Os olhos de Sófia ficaram levemente vermelhos, mas ela se conteve para não chorar.
Respirou fundo, baixou o olhar para esconder as emoções que se agitavam e disse com uma distância quase imperceptível: "Eu sei cuidar da minha vida, não preciso que o Diretor Pacheco se preocupe."
As palavras "Diretor Pacheco" foram como uma barreira invisível, distanciando-os instantaneamente.
A mão de Gregório no volante se apertou com força, os nós dos dedos ficando brancos.
Ele podia ouvir a distância e o descontentamento em seu tom de voz, e uma amargura surgiu em seu coração.
Ele também não queria empurrá-la para outra pessoa.
Mas, comparado a ele, Lucas era, de fato, a melhor escolha.
Ele podia lhe dar luz, estabilidade, e um futuro sem preocupações para ela e para Clara.
Era melhor que ela se casasse com alguém que pudesse cuidar bem dela do que continuar ao seu lado, vivendo sob constante medo e perigo.
"Eu só acho que ele é alguém em quem se pode confiar." Disse Gregório. "Você passou por muita coisa nos últimos anos. Deveria encontrar alguém que possa te amar e te proteger de verdade."
"Eu tenho discernimento sobre minha própria vida."
O tom de Sófia permaneceu frio. Ela não queria continuar com aquele assunto, então virou o rosto para a janela e não disse mais nada.
A paisagem noturna passava rapidamente, e as luzes de néon brilhavam em seu rosto, mas não conseguiam iluminar a escuridão em seus olhos.
Gregório observou sua silhueta apressada, a dor e o conflito em seus olhos quase transbordando.
Ele estendeu a mão, como se quisesse segurá-la, mas no final, a deixou cair, impotente.
Gregório voltou a se sentar no carro, observando a luz da entrada do prédio se apagar, e só então ligou o carro lentamente, desaparecendo na escuridão da noite.
Enquanto isso, no corredor do prédio, Sófia se apoiava na parede fria, sua respiração descompassada.
Ela estava confusa.
Sua mente, seu coração.
Às vezes, uma distância que ora se encurta, ora se alonga, era o que mais torturava a alma.
Ele estava bem ali, diante de seus olhos, mas ela não conseguia se aproximar, como se uma barreira profunda os separasse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...