Na verdade, não era preciso testar muito.
O fato de Sófia ter se recusado a ir para a casa dele para fingir já mostrava que, mesmo sendo uma mentira, ela se opunha à ideia de estar com ele.
Entre ele e Sófia, desde o início, sempre houve apenas amizade e parceria. Talvez essa fosse a relação mais duradoura e segura.
E entre Sófia e Gregório, aqueles sentimentos profundos, o tempo perdido e os mal-entendidos, talvez, como ele dissera antes, nunca tivessem se apagado de verdade.
Ele só não sabia quanto tempo levaria para que eles finalmente encarassem seus próprios corações, para que superassem os obstáculos e ficassem juntos.
Lucas ligou o carro e se afastou lentamente do local.
Ele pensou que talvez devesse mesmo considerar seriamente os arranjos de sua família.
Em vez de continuar adiando, seria melhor encontrar alguém adequado e viver uma vida tranquila.
-
Enquanto isso, no carro de Gregório, Sófia estava sentada em silêncio.
Ela olhava a paisagem passando rapidamente pela janela, mas sua mente estava um caos.
O pedido de Lucas, a aparição repentina de Gregório e as memórias do passado a inundavam como uma maré, tornando difícil encontrar a calma.
Gregório pareceu notar seus pensamentos e perguntou em voz baixa: "No que está pensando?"
Sófia voltou a si e balançou a cabeça. "Em nada."
Ela fez uma pausa, mas não conseguiu evitar perguntar: "Você... ouviu tudo?"
Gregório não negou, apenas assentiu levemente. "Ouvi uma parte."
Sófia ficou em silêncio por um momento.
"Terminaram?" Perguntou Gregório.
Ele não deveria ter tocado no assunto naquele momento, não deveria ter reaberto sua ferida.
O homem baixou o olhar, seus longos cílios escondendo as emoções que se agitavam em seus olhos, e sua voz soou grave e rouca: "Desculpe, eu não deveria ter perguntado."
Sófia ergueu os olhos para ele. A luz dos postes de rua dançava em seu rosto, delineando o perfil rígido de seu rosto.
Uma amargura tomou conta dela. Ele nunca saberia que a criança que ele pensava ser dela e de Lucas, na verdade, era dele.
Seu coração parecia ser apertado por uma mão invisível, e uma dor densa se espalhou por seu peito.
Sófia fungou, forçando-se a afastar os pensamentos, e disse com um tom deliberadamente indiferente: "Já passou."
Duas palavras, ditas de forma casual, mas que consumiram toda a sua força.
Gregório não insistiu, e o silêncio voltou a reinar no carro, mas um silêncio ainda mais pesado, carregado de uma opressão indizível.
Ele olhou para a frente, os dedos apertando o volante, e seu tom era tão calmo que beirava a frieza: "O Lucas é uma boa pessoa, tem um temperamento gentil, é sensato. E a Família Dutra tem capital suficiente para dar a você e à Clara uma vida estável."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...