O carro de Gregório parou em frente à mansão que seria seu lar conjugal.
Ele abriu a porta e entrou na sala de estar, com os passos instáveis.
Assim que tirou o sobretudo preto, uma onda de exaustão o atingiu. Seu corpo estava pesado, como se uma pedra de mil quilos o esmagasse, e ele mal tinha forças para levantar a mão.
Seu peito estava oprimido por uma sensação indescritível de aperto, como se algo o bloqueasse, e até respirar era doloroso.
Ele afrouxou a gravata e se jogou no sofá, fechando os olhos para tentar descansar um pouco.
Mas sua mente estava anormalmente desperta. As cenas da festa de aniversário, o olhar distante de Sófia, a atitude fria de Wanda.
E a aparência cautelosa de Clara, tudo passava repetidamente por sua mente, impossível de afastar.
O abismo emocional provocado pela depressão severa se tornava ainda mais avassalador na calada da noite.
Na escuridão, a solidão e o desespero o engoliam como uma maré. Ele podia sentir claramente a terra árida em seu coração, onde nem um vislumbre de vida conseguia brotar.
Seus dedos procuraram instintivamente o bolso, mas não encontraram nada.
Os cigarros haviam acabado no carro.
Ele passou os dedos pelos cabelos, irritado, e se levantou para procurar algum calmante no escritório, mas ouviu batidas na porta da entrada.
A essa hora, só poderiam ser Renata Rocha e Daniel.
Ao abrir a porta, viu, de fato, Renata e Daniel do lado de fora. Os dois seguravam uma vasilha térmica, com o rosto expressando preocupação.
"Ouvimos dizer que você foi à festa de aniversário da Sra. Wanda e viemos ver como você está."
Renata disse, entrando diretamente na sala de estar. Seu olhar passou pelo rosto pálido de Gregório e pelas olheiras escuras sob seus olhos, e sua testa se franziu instantaneamente. "O que aconteceu com você? Não está descansando direito de novo?"
Daniel colocou a vasilha térmica na mesa e abriu a tampa. Dentro havia um mingau morno. "Pedi para a cozinheira preparar um mingau leve para o estômago. Coma um pouco."
Gregório não se moveu, apenas se encostou no batente da porta, com a voz rouca: "Não precisa, estou sem apetite."
"Mesmo sem apetite, você precisa comer." Renata deu um passo à frente, com um tom firme. "Olhe para você agora, seu rosto está branco como papel. Se continuar assim, nem um milagre poderá te salvar."
Daniel deu um tapinha no ombro de Renata, sinalizando para que ela se acalmasse, e então se virou para Gregório: "Sabemos que está sendo difícil para você, mas fugir não resolve o problema."
"O tratamento não é pelos outros, é por você mesmo."
"Somente quando você estiver bem, poderá proteger verdadeiramente as pessoas que deseja proteger."
Gregório não respondeu, apenas se virou e caminhou em direção ao escritório, deixando para trás uma frase fria: "Estou cansado, quero descansar. Vão para casa."
Renata ainda queria dizer algo, mas foi impedida por Daniel.
Os dois se entreolharam, e ambos viram a impotência nos olhos um do outro.
Daniel pegou a vasilha térmica da mesa e disse em voz baixa: "Deixei o mingau aqui, lembre-se de comer. Se precisar de qualquer coisa, nos ligue a qualquer momento."
Depois que eles saíram, o escritório mergulhou novamente em um silêncio mortal.
Gregório sentou-se à mesa, olhando para a noite escura lá fora, com o coração desolado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...