Não era que ela não quisesse, era que não ousava.
As feridas do passado eram muito profundas. Aqueles dias de mal-entendidos e frieza eram como cicatrizes gravadas em seu coração, lembrando-a constantemente de não cometer os mesmos erros.
Além disso, a depressão de Gregório era como uma montanha invisível pesando em sua mente.
Ela não sabia se tinha a capacidade de suportar tudo aquilo, não sabia se esse amor, carregado de dor e peso, poderia ter um final feliz.
Ela permaneceu em silêncio.
Muito tempo depois.
Sófia falou lentamente: "Neste mundo, nem tudo termina com um final feliz e harmonioso. O que mais existe é o arrependimento e, além disso, nem toda história precisa ter um fim."
Wanda olhou para o perfil dela, querendo dizer algo, mas se conteve.
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O carro entrou no condomínio e parou lentamente em frente ao prédio.
Sófia desligou o motor, e o carro mergulhou no silêncio, quebrado apenas pela respiração regular de Clara.
Ela respirou fundo e se virou para Wanda: "Mãe, eu sei que você quer o meu bem."
"Mas questões do coração não se resolvem com um simples ‘esclarecer tudo’."
"Preciso de tempo, e preciso pensar bem se ainda existe alguma possibilidade entre nós."
Wanda, vendo seus olhos avermelhados, finalmente não disse mais nada, apenas assentiu: "Você precisa se lembrar que, qualquer que seja a sua decisão, sua mãe e seu tio irão te apoiar. Você não precisa carregar tudo sozinha."
Sófia assentiu, abriu a porta do carro e pegou delicadamente a adormecida Clara no banco de trás.
Ela envolveu a filha firmemente em suas roupas e entrou passo a passo no prédio.
De volta em casa, depois de colocar Clara na cama, Sófia sentou-se exausta no sofá.
As palavras de sua mãe ainda ecoavam em seus ouvidos, e a imagem de Gregório não saía de sua mente.
No banco da frente, Bruno Barros o observou pelo retrovisor e, após hesitar por alguns segundos, falou em voz baixa: "Diretor Pacheco... fume um pouco menos, não faz bem para a saúde."
Bruno trabalhava para Gregório há muitos anos e sabia que ele raramente fumava antes; mesmo em eventos sociais, era apenas por formalidade.
Mas, ultimamente, ele vinha fumando cada vez mais, um cigarro atrás do outro, como se apenas a fumaça pudesse anestesiar as emoções que não tinham onde se alojar.
Gregório não respondeu, apenas levantou a mão que segurava o cigarro e sacudiu levemente as cinzas, que caíram brancas sobre seu sobretudo preto, destacando-se.
Com a outra mão, ele pressionou a testa, massageando com força as têmporas latejantes. A pressão ao seu redor era tão baixa que se tornava difícil respirar.
O fato de ele ter esses gestos para liberar suas emoções, como fumar, já era um sinal de vida.
O homem de repente soltou uma risada debochada, pegou a ponta do cigarro e a apagou com força no cinzeiro do carro. A brasa se extinguiu instantaneamente, deixando apenas uma marca preta e queimada.
"Vamos."
Sua voz estava um pouco rouca, sem revelar muitas emoções.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...