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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1080

Não era que ela não quisesse, era que não ousava.

As feridas do passado eram muito profundas. Aqueles dias de mal-entendidos e frieza eram como cicatrizes gravadas em seu coração, lembrando-a constantemente de não cometer os mesmos erros.

Além disso, a depressão de Gregório era como uma montanha invisível pesando em sua mente.

Ela não sabia se tinha a capacidade de suportar tudo aquilo, não sabia se esse amor, carregado de dor e peso, poderia ter um final feliz.

Ela permaneceu em silêncio.

Muito tempo depois.

Sófia falou lentamente: "Neste mundo, nem tudo termina com um final feliz e harmonioso. O que mais existe é o arrependimento e, além disso, nem toda história precisa ter um fim."

Wanda olhou para o perfil dela, querendo dizer algo, mas se conteve.

-

O carro entrou no condomínio e parou lentamente em frente ao prédio.

Sófia desligou o motor, e o carro mergulhou no silêncio, quebrado apenas pela respiração regular de Clara.

Ela respirou fundo e se virou para Wanda: "Mãe, eu sei que você quer o meu bem."

"Mas questões do coração não se resolvem com um simples ‘esclarecer tudo’."

"Preciso de tempo, e preciso pensar bem se ainda existe alguma possibilidade entre nós."

Wanda, vendo seus olhos avermelhados, finalmente não disse mais nada, apenas assentiu: "Você precisa se lembrar que, qualquer que seja a sua decisão, sua mãe e seu tio irão te apoiar. Você não precisa carregar tudo sozinha."

Sófia assentiu, abriu a porta do carro e pegou delicadamente a adormecida Clara no banco de trás.

Ela envolveu a filha firmemente em suas roupas e entrou passo a passo no prédio.

De volta em casa, depois de colocar Clara na cama, Sófia sentou-se exausta no sofá.

As palavras de sua mãe ainda ecoavam em seus ouvidos, e a imagem de Gregório não saía de sua mente.

No banco da frente, Bruno Barros o observou pelo retrovisor e, após hesitar por alguns segundos, falou em voz baixa: "Diretor Pacheco... fume um pouco menos, não faz bem para a saúde."

Bruno trabalhava para Gregório há muitos anos e sabia que ele raramente fumava antes; mesmo em eventos sociais, era apenas por formalidade.

Mas, ultimamente, ele vinha fumando cada vez mais, um cigarro atrás do outro, como se apenas a fumaça pudesse anestesiar as emoções que não tinham onde se alojar.

Gregório não respondeu, apenas levantou a mão que segurava o cigarro e sacudiu levemente as cinzas, que caíram brancas sobre seu sobretudo preto, destacando-se.

Com a outra mão, ele pressionou a testa, massageando com força as têmporas latejantes. A pressão ao seu redor era tão baixa que se tornava difícil respirar.

O fato de ele ter esses gestos para liberar suas emoções, como fumar, já era um sinal de vida.

O homem de repente soltou uma risada debochada, pegou a ponta do cigarro e a apagou com força no cinzeiro do carro. A brasa se extinguiu instantaneamente, deixando apenas uma marca preta e queimada.

"Vamos."

Sua voz estava um pouco rouca, sem revelar muitas emoções.

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