Meia hora depois, os resultados dos exames saíram.
O médico, segurando os laudos, aproximou-se de Gregório com uma expressão séria.
"Você é da família da paciente? Ela estava grávida, mas agora apresenta sinais de um aborto completo. O feto não pôde ser salvo."
O corpo de Gregório enrijeceu violentamente. "O que você disse?"
"Ela estava grávida?"
Ele finalmente entendeu por que o rosto de Sófia parecia sempre tão abatido ultimamente, por que ela teve náuseas no escritório, por que escondeu os resultados do exame tão nervosamente no hospital pela manhã…
Então, ela estava grávida, e ele não sabia de nada.
"Sim. E, pela situação, ela deve ter tido enjoos matinais antes. Isso, somado a um estímulo externo ou excesso de trabalho, levou ao aborto."
O médico olhou para ele. "Como marido, como você pôde ser tão descuidado?"
"A esposa está grávida e você não cuida dela direito. Agora que isso aconteceu, vá vê-la. As emoções dela devem estar muito instáveis neste momento."
A palavra "marido" perfurou o coração de Gregório como uma faca.
Ele não se explicou, apenas assentiu com a cabeça e caminhou rapidamente em direção ao quarto.
No quarto, Sófia estava recostada na cabeceira da cama, o rosto ainda pálido, o olhar vago, fixo no teto.
A dor no baixo ventre diminuía gradualmente, mas a dor em seu coração tornava-se cada vez mais intensa.
As palavras do médico ainda ecoavam em seus ouvidos:
"O feto não pôde ser salvo".
Embora ela já tivesse decidido que desistiria daquela criança, quando o resultado finalmente chegou, ela sentiu o peito como se tivesse sido esvaziado, uma dor que a deixava sem fôlego.
A porta se abriu suavemente e Gregório entrou.
Ele parou ao lado da cama, observando a expressão perdida de Sófia.
O homem não falou.
A voz de Sófia tinha um tom embargado, mas ainda era firme.
Gregório permaneceu em silêncio por um longo tempo, antes de finalmente se levantar. "Pedi para o Bruno providenciar a melhor enfermeira para você. Se precisar de algo, me ligue a qualquer momento."
Ao sair do quarto, Gregório se apoiou na parede, respirando fundo.
O cheiro de desinfetante no corredor era particularmente forte, deixando-o tonto.
Nesse momento, seu celular tocou novamente. Era Bruno.
"Diretor Pacheco, a Vitória está muito abalada, não para de chorar. Diz que precisa ver o senhor de qualquer maneira." A voz de Bruno estava carregada de impotência.
Gregório massageou as têmporas latejantes. "Deixe-a."
Apoiado na parede, Gregório segurava um cigarro apagado entre os dedos, a mente um caos.
O rosto pálido de Sófia, seu olhar vazio, faziam até a respiração dele doer.
Nesse exato momento, passos apressados soaram no final do corredor. Lucas Dutra, vestindo um conjunto casual cinza e com o cabelo um pouco desarrumado, apareceu, claramente tendo vindo às pressas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...