Gregório Pacheco observou Sófia Lopes em silêncio. Ele não disse nada, ignorando o olhar de resistência dela, e inclinou-se para pegá-la no colo.
Sófia foi pega de surpresa e, por instinto, agarrou a gola do paletó dele. Uma dor aguda no baixo ventre a fez inspirar bruscamente, tirando-lhe até a força para lutar.
Ela podia sentir a firmeza dos braços de Gregório, o suave aroma de cedro que emanava dele…
Era o mesmo perfume que ela tanto gostava no passado, mas que, naquele momento, apenas semeava o caos em seu coração.
"Me ponha no chão… Chame uma ambulância, é o suficiente. Vá ficar com a Vitória Tavares…"
Ela rangeu os dentes, sua voz não passando de um sussurro.
Com uma expressão fria, Gregório baixou os olhos para ela, sem dizer uma palavra, e caminhou diretamente para o elevador, carregando-a.
Os engenheiros e funcionários ao redor se entreolharam, mas ninguém ousou se aproximar para falar.
Nunca tinham visto o Diretor Pacheco com um semblante tão grave; a pressão ao seu redor era tão baixa que se tornava sufocante.
No elevador, o espaço confinado era preenchido apenas pelo som da respiração dos dois.
Sófia, aninhada nos braços de Gregório, tremia de dor, e o suor frio encharcou a frente da camisa dele.
Ela virou o rosto, não querendo olhá-lo, mas seus ouvidos eram preenchidos pelas batidas firmes do coração dele, o que deixava seus pensamentos já confusos ainda mais atordoados.
Ela não entendia. Ele deveria estar com Vitória, afinal, Vitória também enfrentava a dor de perder um filho. Por que ele ainda se importava com ela?
O carro já esperava no andar de baixo. Assim que viu Gregório sair com Sófia nos braços, Bruno Barros abriu imediatamente a porta do banco de trás.
Gregório se inclinou, colocou Sófia cuidadosamente no assento e sentou-se ao lado dela, dizendo ao motorista com voz grave: "Para o Hospital Municipal Principal, rápido."
O carro acelerou pelas ruas, e a paisagem urbana passava voando pela janela.
Sófia encolheu-se no banco de trás, as mãos pressionando firmemente o baixo ventre, a dor fazendo as veias em sua testa pulsarem.
Um médico da emergência veio imediatamente ao encontro deles e, ao ver o rosto pálido e a expressão de dor de Sófia, pediu que uma enfermeira trouxesse uma maca.
"O que aconteceu? Onde está doendo?" perguntou o médico, enquanto fazia um exame preliminar.
"Dor no baixo ventre… uma dor que puxa para baixo…" disse Sófia com dificuldade, deitada na maca.
"Primeiro, vamos fazer um ultrassom e um exame de sangue", ordenou o médico com seriedade, e a enfermeira imediatamente levou Sófia para a sala de exames.
Gregório ficou parado na porta da emergência, observando a maca desaparecer no final do corredor. Só então ele soltou um longo suspiro e massageou as têmporas latejantes.
Ele pegou o celular, pensando em ligar para Vitória para se explicar, mas viu que a tela estava cheia de chamadas perdidas e mensagens dela, todas o apressando para ir até lá, o tom passando de súplica a questionamento.
Ele franziu a testa e enviou uma mensagem para Bruno: "Vá até a Vitória, acalme-a por mim. Me informe sobre qualquer novidade."
Depois de enviar, ele guardou o celular no bolso, os olhos fixos na direção da sala de exames, uma ansiedade inexplicável crescendo dentro dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...