Lorena percebeu a repressão e o peso nas palavras dele. Ela segurou a mão dele na mesma hora para tentar acalmar suas emoções.
— Eles me adotaram de fato porque a Mariana Alves precisava do meu sangue. Mas o que eles me deviam, eu já recuperei, e eles pagaram o preço. Deixe isso no passado.
Percival Capelo olhou para as mãos sendo seguradas por ela. Dor e fúria o invadiram.
Ele pensava antes que a Família Alves a tratava mal porque sabiam desde o início que não era filha biológica.
Ele nunca imaginou que a garota tivesse suportado tal tortura.
Foram mais de dez anos, e ela nunca foi bem tratada pela Família Alves!
Foi nesse momento que ele realmente entendeu por que ela sempre mantinha certa distância das pessoas, e por que sempre lidava com dificuldades com tanta calma.
Era porque seu ambiente de sobrevivência havia sido extremo.
A vida como bolsa de sangue humana o deixava sufocado só de pensar.
Ele não conseguia imaginar como ela aguentou aqueles anos.
— Lorena. — A voz dele estava tão escura e rouca. — Eu me arrependo muito de não ter te encontrado antes.
Se tivesse encontrado mais cedo, ele nunca permitiria que a Família Alves a tratasse assim, e jamais a deixaria ser uma bolsa de sangue!
A emoção reprimida chegou ao limite, transformando-se em uma hostilidade latente no fundo do seu coração.
O fim da Família Alves ainda foi pouco!
Eles não mereciam continuar vivos!
Lorena sabia que ele estava se culpando, e sua voz se tornou mais suave. — Na verdade, nos conhecemos no momento exato. Eu tinha capacidade de te curar, e você não tinha sua razão devorada pela dor. Se fosse um pouco mais cedo ou mais tarde, talvez não combinássemos tanto.
— Além disso, eu não tenho mais nenhuma relação com a Família Alves. Tudo o que aconteceu serviu para retribuir a gratidão por me criarem.
— Só não quero que outras crianças passem pelo que passei, por isso continuei investigando o Orfanato Sant'Ana em segredo.

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