Quirino ficou de boca aberta. Será que uma garota de 18 ou 19 anos tem essa força?
— Onde eu coloco isso? — Lorena lançou-lhe um olhar.
— Pode deixar na caçamba. — Quirino saiu de seu torpor e tossiu levemente.
Lorena assentiu, acomodou a ração na caçamba, atirou a bagagem para trás logo em seguida e, apoiando-se no assento, deu um salto ágil para subir no trator que tinha quase a altura de uma pessoa. Seus movimentos foram extremamente limpos e precisos.
— Você tem bastante agilidade. Já treinou alguma arte marcial? — Quirino não escondeu a admiração.
— Nunca treinei de propósito. Aprendi a me defender na base da experiência. — Lorena respondeu de forma desleixada, recostando-se no banco.
Quirino engasgou com a resposta. Uma jovem delinquente?
— Se não me engano, você deve ter dezenove anos. Onde está fazendo a faculdade? — Ele deu um sorriso amarelo e perguntou, tentando sondá-la.
— Eu fazia um curso técnico, mas parei.
— Não gosta de estudar? — Quirino ergueu as sobrancelhas.
— Pode-se dizer que sim. No momento, não tenho muito interesse nisso. — Lorena soltou um bocejo.
Para ela, o conteúdo ensinado na faculdade já havia sido dominado ainda no ensino fundamental. Frequentar ou não as aulas não fazia a menor diferença.
— E no que você tem interesse, então? — Quirino insistiu.
— Em dormir. — Dizendo isso, ela puxou o capuz sobre o rosto e fechou os olhos.
Ela estava há quarenta e oito horas sem nenhum descanso e, naquele momento, precisava desesperadamente dormir. Não tinha a menor energia para jogar conversa fora.
Quirino riu baixo, achando graça, e não a incomodou mais. Com movimentos rápidos, enviou uma mensagem pelo celular.
A mensagem dizia: Adilson, essa sua irmã perdida há anos tem muita personalidade. Gostei dela. Se sua família não quiser você, eu levo você comigo.
Pouco tempo depois, a resposta chegou.
A resposta foi curta: Vai se ferrar.
— No entanto, como ela é filha biológica sua e do papai, tenho certeza de que a índole e a conduta dela são impecáveis.
Kellen finalmente se acalmou um pouco. Obviamente, ela jamais acreditaria que sua própria filha de sangue fosse uma pessoa ruim. Contudo, a julgar pelas informações do relatório de investigação, a garota de fato apresentava alguns comportamentos problemáticos.
Ela não era cega às preocupações do marido e do filho. Porém, o simples pensamento de que sua preciosa filha, perdida há tantos anos, estivesse sendo submetida a um teste de lealdade pelos próprios familiares antes mesmo de voltar para casa, apertava seu coração de dor.
— Lorena teve uma vida difícil com a Família Alves. Ela com certeza sofreu muitas injustiças todos esses anos. Eu não quero que, ao voltar para casa, ela ainda tenha que lidar com a desconfiança da própria família! — Percebendo o olhar culpado e preocupado do marido, ela soltou um suspiro.
Cristiano sentiu um nó na garganta, também tomado por um forte desconforto. No entanto, a Família Estrela não se resumia apenas a ele. A posição que ocupava não lhe permitia agir movido apenas pela emoção; portanto, certas medidas duras eram inevitáveis.
— Mãe, não se preocupe. Eu cuidarei muito bem da Lorena. — Tânia abraçou o braço de Kellen.
— Tânia, muito obrigada. Terei que contar com a sua ajuda de agora em diante. — Kellen deu tapinhas reconfortantes na mão dela, sentindo-se aliviada.
— Fique tranquila. Mesmo com o retorno da Lorena, você continuará sendo uma filha da Família Estrela. Isso é um fato que nunca mudará! — Ela fez uma pausa e acrescentou, num tom tranquilizador.
— Mãe, obrigada! — Tânia ficou com os olhos marejados e aninhou-se no abraço de Kellen. No entanto, os cílios abaixados esconderam a frieza sombria que tomou conta do fundo de seus olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Garota Rejeitada Triunfa: Minha Família É a Mais Poderosa