Cristiano e Kellen suspiraram aliviados. A Lorena deles era, de fato, uma boa menina.
Após o jantar, o mordomo trouxe uma mesa especial e uma cítara tradicional antiga.
Tânia levantou-se para lavar as mãos.
— O estômago da sua mãe não é muito bom. Quando Tânia soube que ouvir música tradicional após as refeições faz bem para a saúde, ela fez questão de aprender a tocar com a Professora Zilda. Sempre que está em casa, ela toca para a tia Kellen depois do jantar. Por incrível que pareça, toda vez que ela termina, a tia Kellen realmente se sente bem melhor. — Quirino inclinou-se na direção de Lorena e explicou.
— A música tradicional ajuda a relaxar e traz tranquilidade. É um princípio da medicina holística. — Enquanto falava, Lorena esticou os dedos e pousou-os sobre o pulso de Kellen para medir sua pulsação.
— Lorena, você também entende de medicina tradicional? — Vendo aquilo, Kellen abriu um sorriso.
— Estudei um pouco. — Lorena respondeu de forma evasiva.
— Mais tarde eu lhe passarei uma receita. Com alguns ciclos de tratamento, você ficará curada. — Após alguns instantes, ela recolheu a mão.
— Você é incrível, Lorena! — Sem duvidar nem por um segundo, Kellen acariciou a cabeça da filha com uma expressão de profunda comoção.
Lorena já havia recebido inúmeros elogios ao longo de sua vida e jamais havia se abalado com eles. Contudo, naquele momento, sentiu uma faísca de orgulho pela primeira vez, o que a fez arquear os cantos dos lábios discretamente.
— Você não pode dar remédios assim, de qualquer jeito. Além do mais, a tia Kellen já passou por vários especialistas renomados por causa desse problema de estômago. Todos disseram que a condição só pode ser controlada, nunca curada completamente... — Quirino puxou Lorena de lado e avisou em voz baixa.
— Você não acredita em mim? — Lorena lançou-lhe um olhar afiado.
Quirino deu um sorriso amarelo.
E ele poderia acreditar?
De acordo com o relatório de investigação, para dizer o mínimo, sua priminha era uma péssima aluna que detestava estudar. Sendo mais realista, era uma ignorante irresponsável. Como ele poderia confiar que ela seria capaz de curar a doença crônica da tia Kellen usando apenas algumas palavras vazias?
Quando ele ia tentar argumentar de novo, Tânia retornou à sala e sentou-se majestosamente diante do instrumento.
— Se você não sabe tocar, eu posso te ensinar depois. Aprender a tocar não é nada difícil. Tenho certeza de que você pegaria o jeito rapidinho. Além disso, imagino que você também queira ver a mamãe mais feliz, não é?
— Tânia, acha que qualquer um tem o seu talento? Ela estuda há menos de um ano e já recebe elogios da Professora Zilda! Mesmo que você queira que a Lorena agrade a tia Kellen, precisa dar um tempo para ela, não acha? — Vendo que os olhos de Tânia estavam vermelhos de tão nervosa, Quirino logo tentou consolá-la.
— O papai sabe que você não teve más intenções. Não fique remoendo isso. — Cristiano olhou para a expressão impassível de Lorena e suspirou intimamente.
Kellen, no entanto, lançou um olhar profundo para Tânia e permaneceu em silêncio.
— Quirino, não diga isso. Eu não tenho nenhum talento especial, apenas passei muito tempo praticando. — Tânia respondeu com um tom falsamente ofendido.
— Lorena, se você se dedicar de verdade, com certeza conseguirá aprender. — Então, voltou seu olhar timidamente para a garota.
Lorena começou a achar tudo aquilo extremamente entediante. Como era possível encontrar cópias perfeitas da Mariana em todo santo lugar?
— Eu não costumo tocar muitas canções do estilo Modinha. Você gostaria de ouvir Música Erudita? — Ela virou o rosto e perguntou a Kellen.

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