Um posto de gasolina nos arredores da capital.
— Lorena, já enchi o tanque! Sobe logo! — Quirino chamou em voz alta.
Lorena mantinha uma expressão rígida, completamente contrariada. No entanto, ao ver o olhar brilhante e cheio de expectativa do rapaz, acabou cerrando os dentes e subindo no veículo.
Quem poderia acreditar? Os dois tinham acabado de percorrer centenas de quilômetros desde a Cidade H, sacolejando em um trator barulhento o caminho todo!
Apesar de sua resistência física excepcional, naquele momento ela sentia como se seus quadris estivessem prestes a se partir ao meio.
— Nós não estávamos indo para a Cidade S? — Contudo, ela apontou para a placa do posto de gasolina que indicava a capital e perguntou.
A Cidade S era pobre, suja, caótica e possuía uma infraestrutura precária, sendo conhecida em todo o país como um município miserável.
Entretanto, as ruas à sua frente eram prósperas e limpas, margeadas por arranha-céus reluzentes. Evidentemente, tratava-se de uma metrópole muito mais desenvolvida do que a própria Cidade H.
— Lorena, na verdade, a Cidade S é apenas a terra natal da Família Estrela. Nós já batalhamos muito e acabamos nos estabelecendo aqui na capital. Seus pais moram aqui. — Quirino deu um sorriso amarelo.
A culpa era toda do Adilson! Tinha que insistir nessa ideia estúpida de testar o caráter da irmã.
O plano era que, caso ela demonstrasse ser uma pessoa fútil, gananciosa e de mau caráter, seria imediatamente deixada na velha casa da Cidade S. Se passasse no teste, então seria levada para a capital.
— Entendi. — Lorena murmurou uma resposta apática.
A Cidade S ficava a apenas duzentos quilômetros da capital. Era perfeitamente normal que seus pais biológicos tivessem se mudado para a metrópole em busca de melhores condições de vida.
Tudo o que ela queria agora era chegar logo ao destino e colocar um fim à tortura de andar naquele trator.
Ao ver que ela subira no veículo sem demonstrar nenhuma reação exagerada, Quirino finalmente respirou aliviado.
Meia hora depois, o trator entrou em um condomínio fechado de mansões, um local tranquilo e com forte esquema de segurança.
Lorena observou os vários carros de luxo de edição limitada estacionados nas garagens das propriedades, e depois olhou para o trator caindo aos pedaços em que estava, que parecia prestes a se desmontar na próxima lombada. Ela lançou um olhar significativo para Quirino.
Se antes de ver Lorena havia alguma sombra de dúvida ou receio, tudo desaparecera por completo. Kellen estava decidida: a partir daquele momento, ninguém jamais ousaria magoar sua preciosa filha novamente!
Que garotinha mais doce e delicada! Naquele instante, ela queria dar tudo o que houvesse de melhor para sua filha!
Lorena nunca havia sido abraçada daquela maneira e sentiu-se um pouco desconfortável. No entanto, ao perceber os leves tremores no corpo da mulher devido à forte emoção, apertou os lábios e não ofereceu resistência.
— Lorena, a culpa foi toda nossa. Nós não protegemos você direito e permitimos que passasse por tantas dificuldades todos esses anos... — Depois de um longo tempo, Kellen finalmente a soltou e, avaliando a silhueta esguia da garota, seus olhos voltaram a marejar.
— Não foi assim. Eu vivi muito bem. Não precisa sentir culpa. — Observando a profunda culpa e compaixão brilhando nos olhos da mãe, Lorena sentiu uma emoção indefinível brotar no peito.
Essa frase tão simples fez com que as lágrimas de Kellen rolassem novamente pelo rosto.
Como ela poderia ter vivido bem? O relatório de investigação relatava as atitudes da Família Alves para com a garota ao longo dos anos. Por mais que tivessem tentado mascarar a verdade, as enormes dificuldades pelas quais a menina havia passado eram evidentes.
— Por que está chorando? Nossa filha finalmente voltou para casa, você deveria estar feliz. — Cristiano falou com um sorriso enquanto acariciava gentilmente as costas da esposa. Mas, olhando de perto, era visível que ele também lutava para conter a emoção, com os cantos dos olhos ligeiramente úmidos.

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