Lorena abriu a porta do carro no exato momento em que ouviu aquelas palavras. Sem hesitar, estendeu a mão, puxou a pessoa para fora e disparou em um tom gélido:
— Não sou eu que estou seguindo vocês, são vocês que estão me seguindo! Quem não é bem-vindo não deve se meter onde não é chamado.
Halina gritou, furiosa:
— Lorena!
Lorena recostou-se no banco, fechou a janela e travou a porta com naturalidade. Lançou um olhar para a expressão rígida de Tânia e deu um sorriso carregado de segundas intenções.
— Não se ofenda, não estava falando de você.
Tânia apertou a ponta dos dedos instintivamente, mas acabou tocando em um machucado, o que fez seu rosto se contorcer de dor em um instante.
Lorena lançou um olhar de soslaio para a mão dela.
— Da próxima vez, tente esconder suas emoções melhor. Ficar cravando as unhas o tempo todo vai acabar estragando suas mãos!
Tânia sentiu um nó no peito. Engolindo a raiva a muito custo, forçou um sorriso pálido.
— Deixar a Halina trancada lá fora não é meio cruel?
— Então vá sentar com ela no carro de trás.
Foi a sugestão displicente de Lorena. Após dizer isso, ela fechou os olhos e começou a cochilar, com uma serenidade inabalável.
O olhar rancoroso de Tânia não pôde mais ser ocultado, assustador e sombrio, como se estivesse prestes a transbordar veneno a qualquer momento.
De repente, sem sequer abrir os olhos, Lorena comentou em um tom neutro:
— Se continuar me olhando assim, eu arranco os seus olhos.
Tânia tomou um susto. Apressou-se rapidamente a desviar o olhar, pegou a caixa de primeiros socorros que o motorista lhe entregou e começou a passar o remédio em silêncio.
Ao entardecer, o comboio chegou à Cidade H, estacionando em frente ao Páteo do Alentejo, o restaurante de alta gastronomia mais concorrido e difícil de se conseguir uma reserva em toda a cidade.
Assim que desceu do carro, Halina correu até Lorena para se gabar.
— O Páteo do Alentejo é um negócio do Adilson. Ele deu cartões de ouro roxo para todo mundo da família, mas só a Tânia tem o exclusivíssimo cartão de jade verde. Em compensação, tem gente por aí que provavelmente não deve ter nem um cartãozinho branco, não é?
Tânia deu um sorriso modesto.
— Halina, não diga isso. O Adilson tem estado muito ocupado ultimamente. Assim que ele tiver um tempo livre, com certeza providenciará um cartão para a Lorena.

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