Ao perceber que alguém não apenas havia acreditado na sua mentira inventada na hora, como também se apressava em zombar de Lorena, Halina imediatamente conteve Tânia, que fingia querer explicar, e sussurrou:
— Tânia, não tenha pressa. Vamos curtir o show primeiro.
Com uma palhaça se oferecendo de bandeja para passar vergonha, Lorena não via o menor motivo para deixá-la escapar.
Ela esboçou um leve sorriso irônico e disse num tom de indiferença:
— Mariana, com sua inteligência limitada, você devia ficar quieta e não se exibir.
Os olhos de Mariana pareceram cuspir fogo no mesmo instante.
— Você tem a coragem de me chamar de cadela!
Lorena deu um sorriso preguiçoso.
— Eu fiz isso? Quem acabou de se xingar foi você mesma.
— Sua...!
Mariana ficou com o rosto paralisado de tanta raiva.
Miguel não conseguiu continuar assistindo calado. Estendeu o braço para proteger Mariana, franziu a testa e fuzilou Lorena com um olhar de reprovação.
— Lorena, já chega! Fui eu quem quis romper o noivado com você, não há necessidade de descontar sua frustração na Mariana!
— Além disso, durante todos esses anos você me fez acreditar que tinha sido você quem me salvou, e não a Mariana. Fez com que ela sofresse tantas injustiças à toa, e mesmo assim ela nunca te cobrou nada. Pelo contrário, ela ainda se preocupa com a sua situação. Humilhá-la dessa forma só prova o quanto você é desavergonhada!
Ao ver que ele estava tomando as suas dores, Mariana se encheu de alegria por dentro.
Ainda assim, ela se aninhou a ele de forma frágil e murmurou com uma voz meiga:
— Miguel, não fale assim da Lorena. Ela deve estar fazendo isso porque não tem outra escolha. Afinal, os pais biológicos dela são tão pobres que mal têm o que comer. A Lorena está acostumada com uma vida de luxo, é normal que não consiga se adaptar...
Miguel olhou para ela com uma expressão cheia de pena.
— Mariana, o seu problema é ser bondosa demais. É por isso que os outros se aproveitam de você.
Recebendo o elogio, Mariana fingiu timidez, mas o olhar que direcionou a Lorena transbordava ostentação.
A falsidade era tão intensa que empesteava o ar, mas o arco irônico nos lábios de Lorena não se alterou um milímetro.
Mariana, então, lançou um olhar furtivo para Tânia e Halina, que estavam ali perto.
Aqueles rostos lhe eram estranhos, mas as bolsas que carregavam eram edições limitadas que nem ela conseguia comprar. Imediatamente percebeu que aquelas jovens pertenciam a famílias poderosas. Com um estalo na mente, dirigiu-se a Lorena como quem não quer nada:
— Lorena, agora que você encontrou um emprego como empregada, não pode cometer os mesmos erros de antes. A Família Alves até suportava o seu mau-caráter, mas as outras famílias podem não ter a mesma paciência.
Mau-caráter?
Lorena soltou um meio-sorriso indecifrável.
— O que você quer dizer com isso?
Mariana soltou um suspiro melodramático e cheio de melindre:
— É que... eu sei que você se acostumou com os luxos e riquezas, mas é preciso ganhar dinheiro de forma honesta. Não se pode ir pelo caminho errado.
Ao dizer isso, ela lançou um olhar proposital para Tânia e Halina.
Parecia estar tentando preservar a dignidade de Lorena na frente de estranhos, deixando a frase no ar de propósito.
Mas, na verdade, estava apenas dando asas à imaginação das ouvintes.
Aquele discursinho foi a isca perfeita para a impaciente Halina, que mordeu na hora:
— Como assim? Que atrocidades a Lorena cometeu enquanto vivia com a Família Alves?

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