A voz tagarela de William soou pelo fone de ouvido:
— Aquele Hospital Y que você me pediu para investigar pegou fogo há dezenove anos. Virou cinzas. A maioria dos arquivos desapareceu. Por que essa vontade repentina de mexer nesse passado?
Lorena esboçou um leve sorriso.
— Você acha que o pessoal do orfanato sempre soube quem eram os meus verdadeiros pais?
Desde que se entendia por gente, ela vivia naquele orfanato, um lugar que facilmente poderia ser chamado de inferno. Todos os órfãos ali serviam como bancos de sangue e estoques de órgãos para os ricos e poderosos, e até mesmo como "cobaias" para experimentos humanos.
Aos cinco anos, eles já planejavam usar seu corpo para negócios sujos.
Se o seu sangue não fosse milagrosamente compatível com o de Mariana, o que fez com que a Família Alves a "comprasse", ela provavelmente não teria vivido por muito tempo.
Esse era o motivo pelo qual ela aturou todos os maus-tratos da Família Alves e de Mariana ao longo dos anos.
Quando cresceu e ganhou poder, quis se vingar dos que a machucaram no orfanato, descobriu que o local havia virado ruínas. Os funcionários e as centenas de órfãos haviam sumido sem deixar rastros.
Durante todos esses anos, ela tentava rastrear o paradeiro daquelas pessoas. Mas hoje, ao descobrir a verdade sobre o seu desaparecimento, sua mente instintivamente conectou os dois eventos.
O seu sumiço, muito possivelmente, havia sido uma conspiração meticulosamente orquestrada desde o início...
Alguns dias depois, no salão da Família Estrela.
Lorena observava, com os lábios levemente contraídos, enquanto Kellen arrumava uma pilha gigantesca de coisas e continuava a adicionar mais itens às malas.
Depois de conferir tudo minunciosamente e garantir que havia roupas, comida e acessórios de sobra, Kellen ainda insistiu, preocupada:
— Seu pai e eu não poderemos ir com você para a Cidade H. Se faltar alguma coisa quando chegar lá, ligue para nós, e eu mando entregarem na mesma hora.
Cristiano entregou a ela um cartão de crédito e uma chave.
— Aqui está o seu dinheiro para o dia a dia. Vou fazer depósitos regulares, mas, se precisar de mais, é só me avisar. Além disso, esta é a chave de uma casa na Baía dos Golfinhos. Se não quiser morar no campus da faculdade, pode ficar lá. O pessoal da limpeza vai manter tudo em ordem.
Lorena não recusou a oferta e pegou os itens.
— E mais uma coisa — Cristiano fez uma pausa. — Já conversei com um amigo da família. O sobrinho dele, que mora na Cidade H, vai cuidar de você. Não fique com vergonha de incomodá-lo, procure-o se precisar de qualquer coisa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Garota Rejeitada Triunfa: Minha Família É a Mais Poderosa